Um novo estudo elaborado pelo independente e reconhecido instituto Italiano Nomisma adverte que as medidas Europeias propostas podem levar a uma dramática redução da produtividade. O cenário prevê que as produções de trigo, batatas, cereais e vinha possam ser reduzidos em 19%, 33%, 20% e 10% respectivamente, em 2020.
O relatório Nomisma “Agricultura Europeia do Futuro: o papel dos produtos fitofarmacêuticos” surge numa altura em que a alimentação Europeia e a produção agrícola se encontram em profundas alterações. A nova realidade actual está longe da imagem do passado, de grandes quantidades de trigo e de vinho. O futuro será marcado por elevados preços nos sector agro-alimentar e redução de stocks, principalmente devido ao aumento das exigências alimentares nas economias emergentes, tais como a China e Índia. Esta situação será reforçada pela liberalização do mercado mundial, pelo crescimento populacional e pela necessidade de proteínas e qualidade dos alimentos.
“A Indústria alimentar Europeia está num ponto de viragem, mas as políticas Europeias não parecem estar em sintonia com a nova dinâmica da economia global. A necessidade de assegurar um constante e abundante fornecimento de produtos agrícolas de qualidade para a indústria agro-alimentar, será o grande desafio num mundo com crescentes exigências de alimentos de elevada qualidade. O acesso a produtos fitofarmacêuticos inovadores será crucial se a União Europeia quiser garantir a qualidade das produções agrícolas no futuro”, comentou a responsável do Nomisma pelo projecto – Ersilia Di Tullio.
Neste contexto, o estudo do Nomisma teve em consideração os futuros desafios da Agricultura Europeia e da produção agro-alimentar. O estudo estabelece a forma de explorar relações entre a competitividade internacional na industria agro-alimentar europeia e a revisão da legislação referente aos produtos fitofarmacêuticos. Isto demonstra que as tecnologias agrícolas, tais como os produtos fitofarmacêuticos, desempenham um papel fundamental na manutenção da produtividade, qualidade e competitividade do sector agro-alimentar Europeu.
“O presente estudo representa uma importante contribuição para a compreensão do papel que os produtos fitofarmacêuticos desempenham no apoio ao agricultor e à industria alimentar. Espero que isto altere a percepção de muitos dos meus colegas quando a nova regulamentação que afecta os produtos fitofarmacêuticos for sujeita a uma Segunda leitura em 2008″, refere Robert Sturdy, Eurodeputado do Reino Unido.
A pendente adopção da Revisão da Directiva 91/414, que regula a comercialização dos produtos fitofarmacêuticos, irá reduzir significativamente a sua disponibilidade para a agricultura Europeia. O perigo está num significativo impacto no modelo económico e na competitividade internacional no sector agro-alimentar Europeu. Os principais efeitos poderão ser:
– Queda geral na produtividade agrícola Europeia que provoca uma redução da produção e auto-suficiência de matéria-prima, levando a um aumento da vulnerabilidade na flutuação de preços no mercado agrícola mundial;
– Aumento da dependência das importações de países não Europeus e, como resultado, redução da segurança alimentar e da qualidade dos produtos alimentares Europeus;
– Impacto económico negativo na criação de emprego e valor acrescentado no sector agro-alimentar e nos numerosos sectores que lhe estão associados (comércio e retalho, empresas de serviços, actividades financeiras e de transporte, etc.);
– Perda da actual margem na posição de investigação e desenvolvimento no sector agroquímico, que desenvolveu um elevado nível de sofisticação a fim de permitir uma eficiente redução da intensidade na utilização de produtos fitofarmacêuticos.
Fonte: Agroportal
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