Nutrição: Só um nutricionista para cada 183 mil portugueses

Para cada 183 mil portugueses há apenas um nutricionista nos centros de saúde, número que estes profissionais consideram manifestamente insuficiente para prevenir e combater doenças como a obesidade.
Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, para 86 centros de saúde existem dois nutricionistas, de acordo com dados deste mês divulgados à agência Lusa pela Associação Portuguesa de Nutricionistas.

«O número de nutricionistas a trabalhar nos centros de saúde de Portugal Continental mostra uma perfeita desgraça», comentou a presidente da Associação, Alexandra Bento.

Por seu lado, o nutricionista João Breda salientou a importância destes profissionais nos centros de saúde para ajudar a combater a obesidade.

«São necessários profissionais de saúde ligados à alimentação nos serviços de saúde primários e os novos centros de saúde têm a possibilidade de ter essa figura. É uma forma de ajudar os obesos e de combater a epidemia da obesidade e de prevenir novos casos», disse o especialista em entrevista à Lusa.

Os números mostram que nos 356 centros de saúde existentes no Continente trabalham, em regime de contrato, avença ou no quadro, 52 nutricionistas.

A região Norte é a mais favorecida com 38 profissionais em 101 centro de saúde.

Segunda Alexandra Bento, «50 por cento dos nutricionistas estão no Grande Porto porque até há pouco tempo era o único local onde existia um curso superior de Nutrição, na Faculdade de Ciências de Nutrição da Universidade do Porto».

A especialista admite a dificuldade em estabelecer um rácio necessário de nutricionistas em estabelecimentos públicos para a população, mas defende que o exemplo da região do Porto (com 19 profissionais) deve ser seguido no resto do país.

Para Alexandra Bento, a falta de nutricionistas nos serviços de saúde públicos suscita uma maior procura das clínicas privadas, onde surgem já os casos mais avançados em termos de obesidade.

«O trabalho de prevenção da obesidade acaba por não ser feito», adiantou.

Os dois especialistas contactados pela Lusa concordam ainda com a necessidade de dar mais formação aos profissionais de saúde na área da alimentação.

João Breda exemplificou com um estudo realizado na zona Centro do país, onde se detectou que a maioria dos profissionais sente «carências na formação na área alimentar».

Além dos serviços de saúde, os especialistas consideram que é também nas escolas que se deve prevenir a obesidade, o que passa nomeadamente pelo recurso a nutricionistas.

«Tem cabimento haver nutricionistas nas direcções regionais de educação. Actualmente são muito poucos», referiu Alexandra Bento.

Quanto à alimentação servida nas escolas, João Breda considerou que tem melhorado bastante nos últimos anos e aconselhou os pais a preferirem a comida da cantina «às máquinas e aos “snacks”».

A presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas diz não ter nada contra as máquinas de comida, mas sim contra o seu conteúdo, defendendo a substituição de alimentos como batatas fritas e bolos por peças de fruta ou iogurtes.

O tema da obesidade tem preocupado a comunidade médica internacional nos últimos anos e levou até os ministros da Saúde de 48 países europeus a assinarem em Novembro passado uma carta que fixa princípios comuns, como a criação de leis que impeçam a publicidade de alimentos calóricos entre crianças.

O objectivo principal é inverter a tendência de crescimento da obesidade até 2015.

Portugal é o terceiro país europeu com mais crianças com excesso de peso e onde mais de 50 por cento da população tem peso a mais ou sofre de obesidade.

O Plano Nacional de Combate à Obesidade, que foi aprovado em 2005 pelo então ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, continua em execução, prevendo a realização de acções de formação e preparação dos profissionais de saúde.

Fonte: Diário Digital

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