Nobre investe meio milhão em “produtos amigos”

A Nobre apostou meio milhão de euros numa nova gama de produtos com menos sal e gordura, procurando responder ao que vai na mente (e estômago) de quem consome. O objectivo da empresa é “atingir os 10% da quota de mercado em seis meses” com a gama Naturíssimos, disse ao DN João Cunha, director de marketing da empresa de charcutaria.

Este novo caminho vem demonstrar que o trunfo de quem joga no sector alimentar parece ser cada vez mais o bem-estar e menos a redução de calorias. “Estamos numa fase madura e é também uma responsabilidade nossa, enquanto líderes de mercado, responder às solicitações do consumidor”, mais sensibilizado para diversos problemas de saúde. Esta gama composta por seis produtos – fiambre tradicional, fiambre da perna, peito de frango e de peru, lombo de porco e presunto – está a ser desenvolvida há um ano pela empresa e já teve grande aceitação.

A “criação de novos produtos todos os anos” é, por isso, um dos objectivos estratégicos da Nobre, acrescentou João Cunha. O presidente da empresa, Paulo Soares, adiantou que vai continuar a “acompanhar as tendências do consumo e consolidar a liderança” nas áreas do fiambre (40%), salsichas (50%) e presunto (14%). Este crescimento da marca traduziu-se numa facturação de 70 milhões de euros em 2004 e o “objectivo é aumentá-la em 5% este ano”.

Lá fora, a marca Nobre está em de 30 países, mas o mercado externo representa apenas 5%. “Não temos o objectivo de nos dedicarmos mais à exportação para já, refere Paulo Soares, “interessa-nos explorar o mercado português e crescer de forma sustentada”.

história. Quando a Nobre nasceu em Rio Maior em 1918, o seu fundador, Marcolino Pereira Nobre, aspirava construir um matadouro para a família, o que viria a acontecer em 1950. Hoje, o pequeno talho incorpora a filosofia de uma multinacional americana – a Sara Lee Corporation – e a inovação é um dos pilares fundamentais.

Recorrendo a processos modernos e a tecnologia avançada, a família Nobre daria início à expansão comercial e industrial. Mas a conquista do mercado português só teve início em 1970, ano em que é criada a marca Nobre tal como a conhecemos.

Se a entrada na Bolsa de Lisboa não norteou o trabalho do fundador da Nobre, esta viria a concretizar-se em 1987, ante a globalização da economia mundial. “Em 1988, a empresa foi vendida à divisão alimentar da multinacional BP, deixando de estar nas mãos da família Nobre”, contou ao DN Paulo Soares, o actual director da empresa. Mas só em 1993 a empresa de Rio Maior viria a integrar o grupo Sara Lee, onde se mantém.

A gestão continua hoje a manter-se em mãos nacionais, bem como as matérias-primas, o que poderá constituir um dos motivos para que dois milhões de fatias de fiambre Nobre circulem pelas mesas portuguesas todos os dias.

Fonte: DN

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