Nestlé vende mais para África desde Portugal

Angola e Moçambique continuam a estar no centro das atenções do grupo suíço de produtos alimentares. Além de, recentemente, ter sido eleita a marca preferida dos moçambicanos com um índice de atractividade de 88,7% segundo o estudo Melhores Marcas de Moçambique 2010 da Intercampus, – também em Angola as marcas da multinacional continuam a deliciar os consumidores. Prova disso é o crescente aumento anual das vendas e das exportações a partir de Portugal.

Este crescimento é sustentado pelas preferencias dos angolanos pelas marcas lusas da multinacional, desenvolvidas e produzidas na fábrica de Avanca, Estarreja. Dentro da oferta da Nestlé «os produtos portugueses estão no topo das preferencias dos angolanos, principalmente a gama de cereais, como o Nestum, Cerelac ou Pensal», adiantou ao Sol António Saraiva de Reffóios, director-geral da Nestlé Portugal.

A fábrica de Avanca exporta quase 45% da sua produção. E Angola – com Espanha, Alemanha, Áustria, Itália – está entre os principais destinos. Recentemente a Nestlé Portugal investiu cerca de três milhões de euros nesta unidade de produção para aumentar em 60% a produção de cereais.

O forte crescimento da procura e das vendas no país africano, e consequente aumento das exportações, é explicado «obviamente pelo forte desenvolvimento económico, cultural e social pelo qual Angola está a passar», acrescentou António Saraiva Reffóios.

Novas fábricas devem arrancar em 2012
Para conseguir responder à crescente procura dos angolanos e moçambicanos pelos seus produtos, a Nestlé decidiu apostar em novas industrias. O grupo de produtos, alimentares vai, para isso, investir 25 milhões de francos suíços – 18,6 milhões de euros na construção de uma fábrica em Angola, que deverá estar concluída em 2012. O projecto faz parte de um conjunto de investimentos que a Nestlé pretende realizar na África Equatorial, estimados em 150 milhões de francos suíços (112 milhões de euros). Em Moçambique, o grupo vais construir uma fábrica na cidade da Beira, num investimento de 30 milhões de francos suíços, (24 milhões de euros), que engloba também a instalação de um novo centro de distribuição na mesma cidade.

África Equatorial no topo da agenda
A Nestlé «compromete-se em explorar as oportunidades de negócio e em promover o crescimento na África Equatorial, uma região com 400 milhões de habitantes e uma classe média emergente com poder de compra em crescimento», sublinhou Paul Bulcke, presidente do conselho da administração do grupo, no âmbito de uma visita pela região.

É aliás no Quénia, mais precisamente em Nairobi, que a Nestlé concentrou, em 2008, a base de operações da zona Equatorial Africana. Esta sede abarnge 20 mercados, incluindo Angola, onde já tem representação, desde 2006, e comercializa várias marcas (como Nido, Nesquik, Nescafé, Cerelac, Nan e Maggi) provenientes dos mercados português e brasileiro

Empresa vai aumentar preços em Janeiro
As contas ainda não estão fechadas. Mas a Nestlé Portugal estima acabar 2010 com uma facturação de 600 milhões de euros, cerca de 10% acima do ano passado. «É um resultado muito positivo tendo em conta a actual conjuntura e o sobe e desce dos preços das matérias-primas (chocolate, cereais ou açúcar)» disse ao Sol António Saraiva de Reffóios, director geral da Nestlé Portugal.

Apesar de este ano ter incorporado o aumento recorde das commodities, a partir de Janeiro «vamos ser obrigados a passar este incremento aos consumidores em todos os nossos produtos», além do aumento do IVA previsto pelo Orçamento de Estado para 2011, revela. Maggi, Nescafé, Nestea, Chocapic, Kellogs ou Friskies são algumas das marcas que vão sofrer alterações de preços a partir do dia 1 de Janeiro. O valor do aumento ainda está a ser estudado.

Uma má noticia para os portugueses, mas cujas futuras consequências não intimidam a multinacional. As perspectivas para 2011 são «continuar a apostar em novos produtos e ter uma performance financeira semelhante à deste ano. Os portugueses gostam das marcas da Nestlé e acredito que esta tendência é para continuar, mesmo com este aumento», sublinha o gestor.

A estrela do grupo
A Nespresso continua a ser a marca de ‘ouro’ do grupo, já que a maior parte das receitas da Nestlé Portugal provê, da categoria de cafés, principalmente desta insígnia. Contudo, «faz parte da política da empresa não revelar números sobre esta marca. Só podemos adianter que cresce a duplo digito no território nacional», defende o director-geral da Nestlé Portugal.

Números que seduziram a marca de cápsulas de cafés a realizar um investimento recorde de quatro milhões de euros em Portugal na abertura de novas boutiques – Centro Comercial Colombo, em Lisboa, Braga e outro espaço que ainda está a ser estudado.

A Nescafé Dulce Gusto também contribuiu para as contas positivas do grupo, tendo aumentado a quota de mercado para 61%.

Fonte: Anil

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