Inesquecível para o mercado internacional de commodities agrícolas, pelas fortes oscilações de preços que produziram picos históricos e quedas bruscas, 0 ano de 2008 chega ao fim com pistas difusas e muitas incertezas sobre o que pode acontecer em 2009. A crise financeira irradiada dos Estados Unidos, e a decorrente desaceleração económica que já se aprofunda naquele país e em boa parte do planeta, conteve a visão optimista que muitas vezes contamina os “balanços e perspectivas” de fim de ano.
Num ambiente turvo para apostas, porém, é praticamente consensual entre os analistas que o primeiro trimestre será particularmente nervoso e volátil, com possibilidades de novas quedas de preços de produtos como milho, trigo e soja nas bolsas.
Da mesma forma, vigora a expectativa de que a procura global de produtos alimentares deverá sofrer menos os rigores das turbulências, oferecendo a essas e outras commodities agrícolas suporte suficiente para uma posterior recuperação, provavelmente ainda em 2009 – considerando-se, também, que os problemas de hoje podem reduzir as plantações de cereais no Hemisfério Norte, em meados do ano que agora se inicia.
Na campanha 2008/09, em fase de colheita no Hemisfério Norte (que concentra mais de noventa por cento da produção mundial de cereais), a plantação foi impulsionada por preços elevados desde o primeiro trimestre de 2008, com novos recordes nos três meses seguintes. Não por acaso, uma das maiores preocupações mundiais no primeiro semestre foi a galopante inflação dos alimentos, hoje um tema praticamente abandonado pelas perspectivas de que uma escalada como aquela não voltará a ocorrer proximamente em virtude da actual desaceleração económica.
Graças aos dois primeiros trimestres, e com o terceiro trimestre ainda firme, as cotações médias anuais de milho, trigo e soja bateram recordes em 2008, segundo cálculos do Valor Data baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) negociados na bolsa de Chicago, principal referência global para o trio de commodities agrícolas mais negociadas no mercado internacional.
Nesse critério, a maior valorização relativa em comparação com 2007 (quando os preços começaram a subir) foi a da soja, que até o dia 29 de Dezembro alcançou uma subida de 41,55 por cento. A cotação média do milho cresceu de 40,62 por cento, enquanto a do trigo subiu 24,62 por cento.
Marcantes em 2008, as frequentes oscilações nesses mercados, com muitas variações diárias entre 5 e 8 por cento (para cima ou para baixo), pouco comuns até ao fim de 2006, essas variaçõespodem voltar a verificar-se em 2009, sobretudo nos primeiros meses do ano, que prometem ser mais nervosos. Mas, como a participação dos grandes fundos de investimentos nas bolsas agrícolas diminuiu e as cotações terminam 2008 mais baixas, ainda que acima das médias históricas, as variações tendem a respeitar uma banda mais estreita, conforme analistas.
Fundamentos agrícolas à parte – os stocks globais de trigo devem crescer, ainda que a quebra da produção argentina seja um facto, enquanto os de soja e milho devem diminuir, mas de forma não escessivamente significativa, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) -, Sartori, da Brasoja, acredita que a palavra-chave para esses mercados em 2009 é “energia”.
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal