Produtores de maçã pediram ontem ajuda aos deputados da subcomissão parlamentar da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas para encontrar um investidor interessado em instalar uma unidade industrial de transformação daquela fruta em Moimenta da Beira.
Situado no distrito de Viseu, Moimenta da Beira é o concelho mais central de uma região entre Vila Real e Mangualde de onde sai cerca de metade da maçã produzida em todo o país.
Durante uma visita à fileira da maçã iniciada domingo pelos deputados da subcomissão parlamentar da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, que ontem passou na região da Beira Távora, produtores lembraram o seu anseio de instalar em Moimenta da Beira uma unidade industrial que permitisse transformar a sua maçã de refugo (com mossas ou crivada do granizo, por exemplo).
Segundo o presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, João Silva, uma extensa região que começa em Oliveira do Hospital, passando por Mangualde, Viseu, Cova da Beira, Moiment da Beira, Sernancelhe, Tarouca, Armamar, Lamego e Carrazeda de Ansiães, “produz cerca de 30 a 40 mil toneladas de refugo”.
“Actualmente mandamo-la para Espanha, porque cá em Portugal não temos capacidade de a escoar, nomeadamente nos picos de produção e ao longo do ano, porque das câmaras frigoríficas sai também refugo”, explicou.
Segundo João Silva, o melhor cliente é Espanha, “mas o transporte leva mais de 50 por cento” do valor da maçã, perdendo-se na viagem “muito daquilo que poderia ficar nas mãos dos agricultores”.
“E se alguns dos agricultores ainda apanham essa maçã do chão é porque ela tem efeitos nefastos para o tratamento dos anos posteriores”, frisou.
Em Pombal, existe uma unidade industrial, “mas não tem capacidade neste momento, até porque está mais vocacionada para sumos e não para outros subprodutos que o refugo pode dar, nomeadamente polpas, doces” acrescentou.
Por tudo isto, operadores de vários concelhos defenderam a criação de uma segunda unidade transformadora, a situar em Moimenta da Beira, cuja autarquia disponibilizou um terreno.
Segundo João Silva, “já foram feitas algumas diligências ao longo dos últimos anos”, nomeadamente com os vários secretários de Estado, mas o gestor do programa AGRO argumentou que “o país não comportava duas infra-estruturas”, o que os produtores não acreditam.
“Todos os operadores à volta estão convencidos de que é possível aqui instalar uma indústria transformadora”, garantiu.
Explicou que todas as organizações de produtores quem fazer parte do capital dessa indústria transformadora, como forma de “garantirem o produto”.
“Se formos sócios dessa possível indústria transformadora, nós garantiremos a eficácia no fornecimento do produto e damos garantia ao grande investidor e ao próprio Estado que isto tem futuro”, sublinhou.
Neste âmbito, pediu aos deputados que ajudem os produtores a encontrar o investidor necessário para que o projecto avance, “nacional ou internacional, mas que esteja na fileira, nomeadamente da transformação, e que já conheça os mercados internacionais”.
O presidente da subcomissão parlamentar, Miguel Ginestal, defendeu que esta “é uma iniciativa que deve ser apoiada e concretizada no mais curto espaço possível”, lamentando que se venha a arrastar há vários anos.
“É uma mais valia que neste momento não está a ser convenientemente aproveitada nesta região, porque há vontade local de construir essa unidade industrial”, frisou.
O deputado socialista lembrou que, no entanto, está em andamento um outro projecto importante para a região, tendo o Ministério da Agricultura definido “como prioritária a construção da Barragem da Nave, decisiva para a produção frutícola e de maçã da região”.
Fonte: Lusa
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