Moçambique: Silos para combater crise alimentar

O Governo moçambicano vai construir silos com capacidade para 300 mil toneladas, em zonas de elevado potencial de produção agrícola para garantir a criação de reservas e fazer face à crise de alimentos.

De acordo com o ministro da Agricultura de Moçambique, Soares Nhaca, citado pelo jornal Notícias, trata-se de um plano para concretizar em três anos, de 2008 a 2010, avaliado em aproximadamente 6,5 milhões de euros (ME).

Os silos com capacidade para receberem até cinco mil toneladas de produtos alimentar serão construídos prioritariamente nas províncias de Niassa e Nampula, no norte do país, seguindo-se a Zambézia e Manica, no centro, a partir do próximo ano e, mais tarde, para Gaza, no sul; Sofala e Tete, no centro e a norte, em Cabo Delgado.

«O objectivo deste programa é aumentar a capacidade de armazenamento de produtos em todo o país, considerando que já existem silos, alguns dos quais propriedade de privados» , disse Nhaca.

Nos últimos dias, diversos países, principalmente os mais pobres, têm sofrido com a escalada da crise alimentar de que resultou uma subida acentuada do preço dos bens alimentares.

Recentemente, o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, adiantou que o seu Executivo está a tomar medidas para enfrentar o problema, tendo criado um comité interministerial que terá como missão analisar a situação do custo de vida.

O comité, que integra quadros dos ministérios da Agricultura, Finanças, Planificação e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio, vai auscultar diversas sensibilidades antes de adoptar uma posição definida.

Outra resposta específica de Moçambique aos problemas provocados pelo aumento do preço de produtos alimentares é a possibilidade de produzir pão a partir da mandioca.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) também anunciou a disponibilização adicional de 648 ME para enfrentar o problema sobretudo nos países africanos.

O BAD, que tem programada a próxima assembleia geral para 12 a 14 de Maio, em Maputo, estima que o défice de alimentos poderá elevar-se a 35,8 milhões de toneladas e que Burkina Faso, Libéria, República Centro Africana, República Democrática do Congo e até o Egipto deverão ser os países mais afectados.

O presidente do BAD, Donal Keberuka, e o respectivo secretário-geral, Bedumra Conjé, anunciaram que o banco vai disponibilizar uma verba adicional de mil milhões de dólares, que será adicionada ao fundo inicial de 3.800 milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros), actualmente considerado insuficiente para enfrentar a escassez alimentar.

Keberuka disse ainda que será estabelecido um fundo de 162 ME para a aquisição de fertilizantes para as pequenas explorações agrícolas africanas.

Moçambique regista um défice na produção do arroz, trigo, batata-reno, óleo alimentar, peixe e frango, o maior dos últimos anos que atinge as cerca de 470 mil toneladas por ano.

Fonte: Sol e Confragi

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …