O director da empresa estatal bielorussa Belgospishcheprom acusou esta quarta-feira a Rússia de dar ordens para suspender a importação de açúcar proveniente da Bielorússia, no âmbito da crise política entre os dois países relativamente ao preço do gás natural russo.
As autoridades russas “suspenderam essencialmente” a emissão de licenças alfandegárias necessárias à entrada de açúcar proveniente da Bielorússia no mercado russo, avançou, numa conferência de imprensa, o director da empresa estatal de produção agrícola Belgospishcheprom, Ivan Danchenko.
O representante da empresa alega que os produtores de açúcar bielorussos perderam cerca de 1,5 milhões de euros e poderão, portanto, perder a capacidade para cumprir os contratos assinados para 2007 com as empresas produtoras de doces russas.
“Não pretendemos continuar a tolerar esta situação e apelamos ao governo russo para que tome uma decisão”, acrescentou.
As declarações de Ivan Danchenko surgem, segundo fonte oficial, no âmbito de uma série de ataques feitos pela Rússia à economia do seu país.
A Bielorússia assinou, no final do dia 31 de Dezembro, um contrato com a companhia estatal russa Gazprom, que detém o monopólio do gás natural na Rússia.
O novo contrato, que estipula as condições do fornecimento de gás pela Rússia à Bielorrússia para 2007, fixou uma tarifa superior ao dobro da paga pelo governo de Minsk nos anos anteriores.
O açúcar produzido a partir da beterraba doce bielorussa não estava, até hoje, sujeito às taxas alfandegárias russas.
Os produtores bielorussos começaram a sentir uma quebra nas exportações no ano passado, na senda de suspeitas, por parte das autoridades alfandegárias russas, de que as empresas bielorussas estavam a enviar cana-de-açúcar produzida na América Latina para a Rússia sob a aparência de beterraba doce para contornar as taxas alfandegárias.
A economia bielorussa, baseada no modelo económico soviético, está fortemente dependente do fornecimento de energia russa a baixo custo.
As disputas comerciais agora denunciadas reflectem profundas feridas nas relações entre as duas ex-repúblicas soviéticas, que têm sido afectadas, nos últimos anos, pelas lutas de poder entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo bielorusso, Alexander Lukachenko.
Fonte: Diário Económico
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