Em Portugal existem entre 120 a 130 produtores de milho geneticamente modificado (OGM), o que representa cerca de 1.200 hectares de cultivo, segundo o presidente da direcção do Centro de Informação de Biotecnologia (CIB), Pedro Fevereiro. O Diário Digital aceitou o convite do CIB para um encontro com agricultores de Elvas e foi falar com eles, num almoço informal que decorreu na passada quarta-feira.
«Faço um balanço muito positivo, cultivo desde 2005 e tenho agora 230 hectares de Milho BT e 70 de milho convencional», conta o engenheiro José Maria Rasquilha, agricultor há 22 anos.
O milho geneticamente modificado resulta da introdução de um genoma, retirado da lavra broca que destrói grande parte das produções de milho convencional, no DNA da planta que vai criar resistência ao animal e evitar o uso de pesticidas.
«O ano passado o Milho BT produziu mais 25% do que o convencional e, além disso, esta variedade representa apenas mais 10%, que compensatório em relação à qualidade», explica o agricultor.
O genoma introduzido no milho é conhecido há mais de 50 anos, explica Pedro Fevereiro, e chama-se delta-toxina. A toxina não prejudica a saúde humana e é denominada bacillus thuringiensis (BT).
Gabriela Cruz, agricultora em Elvas há 17 anos, vai este ano fazer a primeira colheita de milho geneticamente modificado e defende as suas vantagens na produção agrícola. «Esta zona é propícia a pragas e com o milho BT é menos um pesticida que tenho de aplicar, além de ser melhor para o ambiente e para o produto final, ainda protejo as pessoas que trabalham comigo, porque estão expostas a menos produtos tóxicos», defende a produtora.
Em Portugal, a produção de milho BT é legal, mas apenas pode ser comercializada para rações de animais, porque é considerado perigoso para a saúde humana. José Maria Rasquilha discorda desta opinião e comenta que «faço milho praticamente biológico, sem adição de qualquer pesticida. E depois de tudo o que li, e mesmo o comissário europeu diz que não há problema para a saúde».
«A Europa importa da América milho geneticamente modificado para consumo humano, mas Portugal não pode produzi-lo», comenta o presidente do CIB.
Por outro lado, Gabriela Cruz defende que «Portugal e a Europa têm de acompanhar a América, onde se produz este milho há anos, se não uma variedade clássica do milho vai desaparecer devido às pragas».
Em anos anteriores o país produziu 150 mil hectares de milho BT, este ano tem apenas 100 mil devido «ao fim das medidas agro-ambientais, à falta de água nas barragens para regadio e ao aumento dos custos», explica José Maria Rasquilha.
«Poucas pessoas sabem que o ketchup (molho de tomate) é feito a partir de tomate geneticamente modificado, mas protesta-se muito contra uma das grandes produções portuguesas que é o milho. Por isso, acredito que é uma batalha difícil e que antes de cinco anos certamente não haverá outras produções geneticamente modificadas em Portugal, como o arroz e a batata», afirma Pedro Fevereiro.
Fonte: Diário Digital
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