Milho transgénico: Colheita deste ano deve rondar as 5.000 toneladas no Baixo Mondego

A colheita deste ano de milho geneticamente modificado (GM) nos campos do Baixo Mondego, arredores de Coimbra, deve rondar as 5.000 toneladas, disse ontem à agência Lusa um técnico que acompanha os produtores deste cereal na Região Centro.

O engenheiro agrícola Vasco Salgueiro, que representa a multinacional Pioneer no centro do país, disse que 450 agricultores do vale do Mondego apostam já na produção de milho GM.

Este ano, foram cultivados com esta variedade 320 hectares do vale do Mondego (Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz), o que corresponde a oito por cento dos solos aráveis, tendo a área de milho GM quadriplicado em relação a 2006.

Tendo em conta que os terrenos de aluvião da zona são muito férteis, a média de produção de milho GM por hectare situa-se nas 14,5 toneladas, “o que poderá garantir uma produção total de pelo menos 4.640 toneladas”, segundo Vasco Salgueiro.

Vasco Salgueiro integrou hoje uma visita a campos de milho convencional e transgénico do Baixo Mondego, organizado pelo Centro de Informação de Biotecnologia, em que participaram dezenas de agricultores que apostam no cultivo de milho GM.

Com o objectivo de produzir milho transgénico da variedade “Bt”, comercializado na região pela Pioneer, 80 agricultores do vale do Mondego agruparam-se numa “zona de produção” de modo a cumprirem a legislação portuguesa neste domínio.

O presidente do Centro de Informação de Biotecnologia (CIB), Pedro Fevereiro, que interveio numa sessão com jornalistas, na Carapinheira, concelho de Montemor-o-Velho, explicou que a designação “Bt” resulta do nome da bactéria “Bacillus thuringiensis”.

A toxina responsável pelo extermínio da broca (uma lagarta que causa elevados prejuízos nas colheitas de milho convencional) é uma proteína codificada pelo gene “Cry1A” daquela bactéria.

Este gene é introduzido no ADN do milho, que passa a ser denominado “Bt”, com a vantagem de permitir a redução o uso de pesticidas para combater aquela praga, que ataca o caule e espiga da planta.

“Não conheço nenhum investigador desta área que diga que esta tecnologia não pode ser utilizada”, afirmou Pedro Fevereiro, especialista em Biotecnologia Vegetal.

Pedro Fevereiro garantiu que a toxina que mata a broca “não tem quaisquer efeitos em termos de saúde humana”, sendo o milho GM produzido em Portugal destinado exclusivamente ao fabrico de rações para animais.

“Esta tecnologia seguramente pode criar produtos prejudiciais se não tivermos os cuidados necessários”, admitiu, no entanto, o presidente do CIB.

Fonte: Agroportal

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