Milho: Produção caiu 40% no ano passado, por causa do preço baixo e da seca

A produção de milho caiu 40 por cento no ano passado, face a 2005, para 450 mil toneladas, devido ao preço muito baixo e à falta de água, que desincentivou os agricultores, afirmou à Lusa o presidente da associação do sector.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), Luís Vasconcellos e Souza, realçou que a queda da produção de milho não se explica com o regime de pagamento único ou desligamento dos apoios da produção.

Para este responsável, “o desligamento dos apoios da produção não leva ao abandono das terras pois os agricultores querem continuar a cultivar”, assim o preço a receberem seja o correcto e as condições, nomeadamente climatéricas e de competitividade o permitam, afirmou.

Por isso, para a campanha a iniciar-se em Março (até Setembro), Vasconcellos e Souza espera uma recuperação da produção de milho para as quantidades médias de cerca de 700 mil toneladas, equivalentes a cerca de 63 milhões de euros, pois o preço por quilo situa-se entre 0,12 e 0,15 euros.

Este responsável faz questão de recordar que Portugal já chegou a produzir um milhão de toneladas, em 1998/99 (a campanha de venda efectua-se entre Agosto de cada ano).

Mas, a contínua descida do preço, “quase perto do preço de intervenção” e as secas vieram afectar o comportamento do milho.

Agora, os produtores estão optimistas e esperam mesmo algum aumento da área cultivada de milho, devido à transferência de outras culturas, como a cevada, tomate ou beterraba.

à produção para utilização do homem juntam-se mais cerca de 60 mil hectares de milho de silagem destinados a alimentação de gado.

Para o presidente da ANPROMIS, na agricultura portuguesa, o sector com mais hipóteses de sucesso é o dos cereais, onde se inclui o milho, tanto a nível alimentar, como para aproveitamento energético, através do bioetanol.

A maior parte do milho produzido em Portugal, cerca de 60 por cento, destina-se a rações, mas também abastece as fábricas de massas alimentícias e serve para fazer “gritz”, um componente para a cerveja, conforme explicou Vasconcellos e Souza.

Portugal consome cerca de 1,5 milhões de toneladas de milho, o que quer dizer que tem de importar aproximadamente metade do que necessita.

Com as alterações da Política Agrícola Comum (PAC), o pagamento de subsídios a algumas espécies passou a basear-se na produção média dos últimos anos e a não ser necessário apresentar produção.

Os agricultores só têm de manter os seus terrenos em boas condições ambientais e não necessitam de cultivar para receber apoio comunitário o que levou muitos responsáveis a defender que se iria assistir ao abandono das terras.

Existem mais de 100 mil produtores de milho, a maior parte acima do rio Mondego, mas relacionados com explorações de gado, sendo o cereal usado como ração.

A maior parte da produção situa-se a sul do Mondego.

Fonte: Agroportal

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