A seca agravou-se na última quinzena. Apenas 2% do território nacional (duas pequenas regiões a Norte e interior Centro) se encontra com uma intensidade fraca, verificando-se uma maior percentagem de território em situação extrema (50%) e um aumento significativo também na classe severa (de 20% na última quinzena de Maio para 29% nos primeiros quinze dias de Junho).
De acordo com o último relatório quinzenal do Instituto da Água, o nível das águas à superfície, bem como o das águas subterrâneas, registou, nos últimos 15 dias, uma evolução desfavorável, quando comparada com a quinzena anterior. Em relação às principais albufeiras, os volumes armazenados continuam estabilizados, não tendo sofrido alterações nestes últimos quinze dias.
Quanto aos valores de água no solo, verifica-se, que com a excepção de uma pequena região no Norte, quase todo o país apresenta percentagens inferiores a 40% da capacidade máxima, sendo mesmo inferiores a 10% a sul do Tejo.
Em relação às reservas hídricas subterrâneas, verificam-se ligeiras descidas em todas as regiões. Excepto na Região de Lisboa e Vale do Tejo, cujos valores são próximos das médias mensais dos anos anteriores, nas restantes regiões os valores estão muito abaixo do que se registava noutros anos.
Populações afectadas
A situação actual de seca já afecta cerca de 18 600 habitantes de 25 municípios, que estão a recorrer a autotanques para abastecimento de água. Salientam ainda que, na generalidade, o recurso a esse abastecimento “acontece devido a questões de ordem infra-estrutural e em períodos de maior pressão demográfica, como o Verão”, correspondendo o abastecimento a uma antecipação das medidas tomadas em anos anteriores.
Noutros 16 municípios, afectando cerca de 27 mil pessoas, foram tomadas medidas de contenção de consumos através de cortes ou reduções nos períodos de abastecimento. Novos problemas se colocam agora a mais 18 municípios com mais de nove mil habitantes, uma vez que algumas das captações para abastecimento público, realizadas através de furos, já esgotaram as disponibilidades.
A qualidade da água para consumo continua na generalidade a apresentar valores normais, execpto nas albufeiras do Alentejo, da Aguieira e de S. Domingos. Na última quinzena, l6 municípios alertaram para alguma diminuição da qualidade, uma situação que, segundo o relatório, está a ser “corrigida através do reforço do sistema de análises e tratamento da água para consumo humano”.
Incêndios florestais
Outra das situações a acautelar na actual situação é a secura muito elevada de todos os espaços florestais, que potenciam os incêndios, a par da diminuição do volume de água armazenada nas albufeiras, que dificulta o combate aos fogos.
O relatório dá conta de um levantamento ao estado de várias albufeiras que se prevêem ser utilizadas para esse tipo de abastecimento. Para já, os dados disponíveis indicam as albufeiras do Funcho, Vale do Gaio, Roxo e Vilar, cuja utilização como ponto de abastecimento para aviões anfíbios poderá estar comprometida. Noutras, admitem a ocorrência de problemas, especialmente no Verão.
O documento refere, ainda, que a redução das disponibilidades hídricas em charcas, tanques e poços, que servem de apoio ao combate a fogos florestais, e que no momento já se encontram com um volume reduzido ou mesmo nulo de armazenamento, tem sido alvo de um acompanhamento especial por parte dos Serviços Municipais de Protecção Civil, corpos de bombeiros e comissões municipais de defesa da floresta contra incêndios. A nível municipal, está a proceder-se à recarga dos pontos de água considerados estratégicos.
Até as bicas no Luso são fechadas à noite…
Todos à espera de um Agosto cheio de dificuldades
Fonte: JN
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