As grandes empresas vitivinícolas portuguesas, que conseguem escoar os seus produtos nos mercados internacionais a preços competitivos, admitiram que a diminuição de 20 por cento na produção da vindima é positiva, do seu ponto de vista.
Os administradores da Dão Sul, Casimiro Gomes e Carlos Lucas, explicaram que, «se se confirmar uma diminuição de 20 por cento da vindima de 2005, isso é bom em termos nacionais: anima os preços. Como todos os produtores têm duas colheitas em cada, vêem os seus stocks calorizados e os consumidores gostam de comprar anos com produções pequenas».
Além disso, o mercado nacional não oferece solução para anos de grandes produções. Já existem muitas cooperativas com excedentes muito altos; no interior do país, há dezenas de instituições em falência técnica, que não conseguem pagar aos produtores a totalidade das uvas entregues. Muitas já optaram por vender o vinho abaixo do preço de custo.
Do ponto de vista dos agricultores, os preços só se degradaram mais. O enólogo da Herdade do Esporão, David Baverstock, reconheceu ao Diário de Notícias que a situação «só é má para o lavrador».
No mercado internacional, a disponibilidade de vinhos é imensa e as grandes distribuidoras são, por isso, insensíveis a eventuais aumentos de preços de determinados vinhos, mesmo que esse aumento advenha de produções nacionais menores, como é o caso de Portugal este ano. Se as empresas portuguesas aumentassem os seus preços, as grandes distribuidoras optariam simplesmente por comprar outros vinhos.
«Em qualquer negócio funciona a lei da oferta e da procura», disse o enólogo do Vértica, Celso Pereira, «mas no negócio do vinho e sobretudo na região do Douro, é onde ela funciona de forma mais elementar e selvagem».
Fonte: DN
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