O inspector-geral da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), António Nunes, afirmou que os portugueses podem estar «tranquilos» em relação à crise da contaminação de leite com melamina, garantindo que o mercado português é «globalmente seguro». «A ASAE fiscalizou oitocentos e sessenta estabelecimentos e retirou do mercado tudo o que havia para retirar. Podemos dizer que o consumidor português pode estar com toda a tranquilidade. A situação não era de alarme público e o mercado estava sob controlo», afirmou.
A ASAE anunciou que nos últimos quatro dias apreendeu 404 quilos de produtos alimentares chineses, 11 unidades de produtos lácteos originários da China e 7,5 quilos de produtos alimentares por deficiente rotulagem ou por estarem fora do prazo de validade.
«Todos os anos controlamos os estabelecimentos de produtos asiáticos. Não foi uma medida do momento, mas sim feita ao longo de todo o ano. Face a esta situação concreta iniciámos uma fiscalização mais forte e mais intempestiva», explicou António Nunes.
Mais países proíbem derivados de leite chinês
Leite em pó e produtos derivados de origem chinesa continuaram a ser proibidos em vários países, de Taiwan à Bélgica. Taiwan anunciou que seis produtos lácteos da Nestlé, fabricados na China, iriam ser retirados dos após a descoberta “de níveis muito altos de melamina”. Na Áustria, onde a importação destes produtos é proibida desde 2002, batidos de leite chineses fabricados com leite contaminado com melamina foram importados e comercializados ilegalmente, disse o Ministério da Saúde.
Na Alemanha, rebuçados chineses White Rabbit comercializados em lojas asiáticas em Dortmund e Bochum foram retirados e na Bélgica, quantidades de melamina cinco vezes superiores à norma autorizada foram detectadas nos mesmos rebuçados. Também a República Democrática do Congo proibiu as importações e a venda de leite e produtos derivados vindos da China.
Encobrimento do caso
Um membro do governo da cidade de Shijiazhuang (na província de Hebei) admitiu publicamente com “profunda culpa e dor” que foi alertado a 2 de Agosto para os problemas que o leite contaminado com melamina estava a causar na saúde de muitas crianças e que só a 9 de Setembro revelou o caso às autoridades da província de Hebei. Na mesma altura em que se parece adivinhar um rosto para a “culpa” pelo encobrimento do caso, concluiu-se que mais de 12 por cento do leite em pó na China estava contaminado.
No início desta semana e após denúncias de jornalistas, a China Human Rights Defenders, uma organização de direitos humanos, acusou o regime de ter controlado a cobertura mediática sobre o escândalo do leite contaminado. No mesmo dia o primeiro-ministro Wen Jiabao declarou: “não houve o mais pequeno encobrimento”. Porém, logo nos primeiros dias da crise levantou-se a possibilidade de ocultação por causa dos Jogos Olímpicos. Além da demora na reforma do sistema de segurança alimentar, a China foi acusada de ter demorado a fazer o alerta público para a situação.
As autoridades culparam a companhia Sanlu (sediada em Shijiazhuang e a principal empresa implicada neste caso) pela espera na divulgação de um problema que em Março já merecia queixas de pais de bebés com sinais de doença. Em Maio e Junho ocorreram as duas primeiras mortes de bebés que consumiram leite em pó contaminado, num escândalo que oficialmente conta com quatro mortes e 54 mil crianças afectadas. A Fonterra, a empresa neozelandesa que possui uma quota minoritária no grupo, fez saber que avisou a Sanlu no dia 2 de Agosto (a seis dias do início dos JO).
Segundo as últimas, as autoridades de Shijiazhuang abafaram a história. Wang Jianguo, porta-voz do governo local, declarou que a Sanlu os abordou no dia 2 de Agosto pedindo ajuda para a “gestão da cobertura mediática do caso”. A empresa pedia o encobrimento da história. O mesmo responsável adiantou que só no dia 9 de Setembro a notícia saiu dos limites da cidade e chegou até ao governo da província de Hebei. E daí para o mundo todo.
Fonte: Anil
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