Marcas brancas crescem num mercado estagnado

O mercado de grande consumo estagnou em Portugal entre Setembro e Outubro. Isto depois de um Verão em alta, em que as vendas de bens de grande consumo chegaram a crescer 4% entre Julho e Agosto, numa recuperação significativa face ao panorama de 2009, em que o mercado permaneceu, grande parte do ano, em terreno negativo.

Mas se formos analisar os diferentes players no mercado, veremos que as tendências foram distintas. É que de acordo com os dados da Nielsen, a que o DN teve acesso, as marcas de distribuição e de primeiro preço, vulgo marcas brancas, cresceram 6%, enquanto as marcas de fabricantes caíram 2,6%.

A conjuntura económica adversa é o factor que tanto a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) como a sua congénere das Empresas de Produtos de Marca, a Centromarca, apontam para explicar o fenómeno. Mas este é o único ponto em que estão de acordo, já que a APED invoca também a aposta crescente dos distribuidores nas marcas próprias, introduzindo sucessivamente novos produtos, fazendo que “um factor alavancasse o outro e as quotas de vendas aumentassem muito”, diz Luís Reis, presidente da associação.

Já a Centromarca alega que é a distribuição que marca o preço nas prateleiras de todos os produtos, sejam eles de marcas de fabricantes ou de marca branca, e que determina o espaço nas suas prateleiras, pelo que o resultado “só pode conduzir ao aumento do consumo das marcas de distribuição”.

E sé é verdade que o ritmo de crescimento das marcas brancas até se atenuou em 2010, depois de dois anos de grande crescimento, não é menos certo que as medidas de austeridade económica fazem antecipar um acentuar deste fenómeno em 2011. Para João Paulo Girbal, presidente da Centromarca, isto terá “consequências graves” para a economia nacional, pois o aumento das marcas da distribuição “resultará, necessariamente, no aumento das importações, o que agrava a destruição progressiva do tecido produtor nacional e leva a uma destruição de emprego estável e especializado no sector produtivo”.

Uma acusação refutada pela APED. “A Centromarca é constituída por grandes multinacionais, como a Procter & Gamble, a Unilever, a Nestlé ou a L’Oréal, muitas delas de dimensão muito superior a qualquer um dos três grandes grupos de distribuição e que compram praticamente a totalidade dos seus produtos fora de Portugal”, diz Luís Reis. O presidente da APED considera que é tempo de “respeitar a vontade do consumidor e de não lhe passar atestados de menoridade”.

Além do mais, salienta Luís Reis, “em Portugal, o poder está do lado da produção”. E explica: “Na distribuição, o consumidor pode escolher entre quatro ou cinco cadeias de hipers. Mas do lado da produção, o nível de concentração na maior parte dos produtos relevantes, como o leite, as massas, farinhas, arroz, iogurtes ou refrigerantes, é superior a 75%. O que parece ser muitas marcas é, na maior parte dos casos, propriedade de um ou dois grupos. Veja-se o caso dos detergentes ou das cervejas.” Uma guerra que está para durar, e quem ganha é o consumidor.

Fonte: Anil

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