Se para começar o dia não abdica do seu pequeno-almoço, então está em sintonia com 91 por cento dos portugueses. Mas se a falta de tempo ou de apetite são os principais argumentos para saltar esta primeira refeição, fique a saber que tem o mesmo problema de 40 por cento das pessoas, de acordo com um estudo conduzido pelo Laboratório de Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.
Mas mesmo entre os fiéis adeptos do pequeno-almoço – que, em geral, preferem tomá-lo em casa (92 por cento) e acompanhados (63 por cento) – há vários erros comuns. O principal: 63 por cento das pessoas dedicam-lhe menos de 15 minutos. Além disso, tomam apenas um copo de leite ou um iogurte e, na melhor das hipóteses, um pão com queijo ou manteiga, esquecendo outras opções consideradas essenciais pelos nutricionistas como a fruta e os cereais. Isto porque, para 63 por cento dos portugueses, o almoço é visto como a principal refeição.
“O problema em Portugal, mais do que incentivar as pessoas a tomarem o pequeno-almoço, passa por sensibilizar para a importância de se começar o dia com uma refeição completa e feita com tempo. São cerca de 15 minutos que podem fazer toda a diferença”, explicou Raquel Torres Abrantes, nutricionista da Kellogg”s, promotora do estudo. A responsável salientou que as pessoas com um índice de massa corporal normal tendem a tomar pequeno-almoço e que as pessoas com mais habilitações são as que mais valor dão a este começo de dia. “A educação alimentar devia ser uma preocupação das escolas”, disse.
No que diz respeito a diferenças etárias, o estudo verificou que os jovens entre os 25 e os 29 anos são os que consideram o pequeno-almoço a refeição mais importante (39 por cento) apesar de ser nesta franja que 18 por cento das pessoas assume saltá-lo. Já os jovens de 18 e 19 anos são os que menos importância dão, mas, quando comem, fazem-no de forma variada e volumosa. As pessoas entre 50 e 59 anos são as que mais tomam o pequeno-almoço, entre os 60 e os 64 anos surgem mais problemas de falta de apetite e entre os 40 e os 44 o principal problema é a falta de tempo. As mulheres comem de forma mais variada, mas têm mais problemas de apetite. Os homens não têm tempo.
Os resultados foram obtidos com base em 1000 entrevistas telefónicas a pessoas residentes em Portugal e com idades entre os 18 e os 65 anos. A amostra foi segmentada de acordo com a população da Grande Lisboa e Porto, litoral Norte e Sul, Interior, Alentejo, Algarve e Ilhas. A margem de erro é de 3,5 para um intervalo de confiança de 95 por cento.
Refeições intermédias ainda não são comuns
Apesar de os nutricionistas insistirem que se deve comer várias vezes ao dia em pequenas quantidades, cerca de 98 por cento dos portugueses ainda só faz as três refeições principais e, durante o resto do tempo, o estômago fica vazio – o que aumenta a fome e as quantidades ingeridas em alturas do dia em que o corpo já não precisa de quantidades tão grandes, como é o caso do jantar.
Ainda assim, de acordo com o estudo apresentado, quase 40 por cento das pessoas inquiridas já faz pelo menos uma refeição intermédia e 30 por cento faz mesmo duas. Quanto aos alimentos escolhidos para estes “lanches”, os lacticínios são uma vez mais os preferidos, seguidos de bolachas, fruta e sumos, pão e, por fim, barras de cereais.
Fonte: Anil
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