Maior preocupação com a origem dos produtos

“As pessoas têm que ser mais selectivas nas suas compras e pensar no futuro. Se no passado nos preocupámos com coisas como o impacto ambiental das marcas ou com as condições dos trabalhadores, era importante que os consumidores vissem um bocadinho além do preço e tivessem mais preocupação com a origem dos produtos e como contribuem para o país”. O alerta foi dado por João Paulo Girbal, presidente da Centromarca.

O responsável salientou que há já representantes da distribuição a estabelecer um limite ideal para a percentagem de venda das marcas de distribuição. “A função destas marcas é atrair gente para os supermercados para que possam decidir à frente das prateleiras. Todos ganham menos a vender os produtos de marca de distribuição do que ganham a vender as marcas de fabricante”, acrescentou.

Durante o seminário “Marcas de Fabricante vs Marcas de Distribuição – O Combate da Década”, o presidente da associação que representa os produtores de marcas, quis desfazer alguns mitos associados ao tema: “Não é o fabricante que marca o preço do produto, mas sim o distribuidor”.

O responsável explica o processo: “Em termos de custo de produção, para qualidades semelhantes, o custo de produção não pode ser muito diferente. A seguir, a distribuição coloca uma margem muito maior na marca de fabricante, porque sabe tem uma atracção maior. Além disso, paga taxas de referenciação e desconta algumas coisas na factura que vai pagar, o que não acontece com os produtos das marcas de distribuição. O distribuidor aceita colocá-lo com uma margem menor para ter um preço mais baixo para atrair consumidores”.

No estudo apresentado, deram a um grupo de famílias cheques para compras, a umas com um valor 35% inferior ao gasto médio e a outras com um valor 40% superior. No primeiro caso, as marcas de fabricante desapareceram do carrinho de compras e no segundo caso as marcas de fabricante predominam.

“Apesar de as marcas brancas terem vindo a ganhar terreno, as marcas de fabricante continuam a ser as preferidas dos portugueses”, explicou Fátima Marcos, da Magma Research. Para Luís Rosendo, senior partner da Generator, “houve uma passagem de know-how das marcas de fabricante para as marcas de distribuidores. Ensinaram tudo a um sector que passou a ser concorrência”.

“Interessa a toda a gente ter um sistema de distribuição eficiente e próximo do consumidor”, lembrou ainda João Paulo Girbal, lembrando ainda que há em Portugal duas empresas que representam cerca de 50% do mercado e conseguem impor condições aos fabricantes fazendo com que as marcas da distribuição não sejam sujeitas às mesmas regras que as outras marcas. É um jogo desigual.”

Fonte: Anil

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