A maçã bravo-de-esmolfe está certificada desde Setembro de 2004, mas na feira que todos os anos se realiza na aldeia de onde é originária, Esmolfe, em Penalva do Castelo, é quase toda comercializada sem o selo de certificação. Foi o que sucedeu, ontem, durante mais uma edição da festa que lhe faz o elogio.
“Não é proibido e muito menos ilegal, mas pelo menos neste certame, pela sua carga simbólica, a certificação devia ser mais respeitada”, desabafa um produtor.
O selo que certifica a maçã bravo-de-esmolfe, como Denominação de Origem Protegida (DOC), começou a ser aposto a 21 de Setembro de 2004. Nesse dia, responsáveis do Ministério da Agricultura perspectivavam que, no prazo de dois anos, metade da produção poderia ser comercializada com o selo de qualidade. Essa meta, segundo alguns técnicos ouvidos pelo Jornal de Notícias, está longe de ser atingida. “No máximo, só 10% ou 15% é que deve estar a ser vendida no mercado com aquela garantia”, garante um dos técnicos.
Ontem, na feira de Esmolfe, a maçã certificada estava a ser vendida a 1,5 euros o quilo e a sem selo havia desde 35 cêntimos o quilo, 10 vezes menos. Maria Isabel Arriaga, vendeu num ápice as mais de duas toneladas “não certificadas” que levou para o certame. “É barata e vende-se bem”, diz a produtora.
350 toneladas para vender
A região demarcada da maçã bravo-de-esmolfe abarca concelhos dos distritos de Viseu, Guarda e Castelo Branco. E a empresa responsável pelo controle de qualidade do fruto é a Felba, que agrupa nove explorações e cooperativas agrícolas Vale do Varosa, Távora, Mangualde, Fruticultores da Beira Alta, Produtores do Distrito da Guarda, Fenafrutas, ADD, Soma e Frucer.
Um dos grandes entrepostos é a Cooperativa Agrícola de Mangualde, que este ano recebeu cerca 350 toneladas de maçã bravo-de-esmolfe. Vai ter de as comercializar até Março de 2007, altura em termina a campanha de venda.
O escoamento, segundo Frederico Carvalhão, director da cooperativa, deve estar garantido. “Vendemos para três cadeias de hipermercados”, explica o dirigente, revelando que a produção subiu, este ano, 35% em relação a 2005. “Há mais e de melhor qualidade” refere.
Cerca de 20 das 350 toneladas que o entreposto de Mangualde tem armazenadas, vão ser vendidas à Compal, que em Novembro do ano passado lançou no mercado, em edição limitada, um sumo clássico a partir da maçã “mais portuguesa” do país a bravo-de-esmolfe. Em 2005 a Cooperativa Agrícola de Mangualde, depois de um ensaio com cinco mil quilos, realizado no ano anterior, vendeu à Compal mais de 50 toneladas daquela maçã.
Maçã bravo-de-esmolfe pode combater o cancro
Estão a ser detectadas características na maçã bravo-de-esmolfe que podem ser muito importantes na luta contra o cancro. O anúncio foi feito o ano passado, por técnicos da Felba, a empresa responsável pelo controle de qualidade do fruto, e por médicos especialistas do Instituto Português de Oncologia de Coimbra. A avaliação científica ainda decorre naquela unidade de saúde e noutra de Lisboa, mas a hipótese de a maçã bravo-de-esmolfe ser benéfica na prevenção e tratamento de doenças do foro oncológico, “poderá aumentar ainda mais a procura”, diz um produtor de Penalva do Castelo.
“Já tinha ouvido falar que a nossa maçã tem propriedades únicas , algumas delas capazes de curar algumas doenças, mas nunca me tinha passado pela cabeça que o cancro pudesse ser uma delas. Mas se os médicos e cientistas afirmam que pode ser curado, quem sou eu para duvidar. Seria um milagre”, desabafa Luís Silva, de Viseu.
A bravo-de-esmolfe tem a fama de ser a mais aromática e a mais perfumada maçã do mundo. É originária da aldeia de Esmolfe, uma freguesia que confina com a vila de Penalva do Castelo, sede de concelho. Foi ali que, conta a história, há cerca de 200 anos, beneficiando de factores climáticos e da peculiaridade dos solos dos vales que constituem o ‘coração do Dão’, nasceu o primeiro pé da maçã bravo-de-esmolfe.
Fonte: Jornal de Notícias
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