Os agricultores de Carrazeda de Ansiães perderam este ano a quase totalidade da produção de maçã com quebras na ordem dos 90 por cento, hoje confirmadas pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN).
A maçã é a segunda cultura agrícola mais importante deste concelho do distrito de Bragança, a seguir ao vinho, com uma produção média anual de dez mil toneladas, equivalente a quatro milhões de euros.
“Na zona do planalto de Carrazeda de Ansiães verificou-se uma situação de perdas de produção próximas dos 90 por cento”, disse hoje à Lusa o director regional de Agricultura e Pescas do Norte, Carlos Guerra.
Segundo o responsável, o organismo fez o levantamento dos prejuízos e constatou também que “96 por cento dos agricultores afectados têm seguros de colheita”.
De acordo com Carlos Guerra, “os seguros repõem o valor equivalente às perdas, pelo que os produtores têm o rendimento garantido”.
Para o director regional, o facto de terem seguros “traduz o profissionalismo dos agricultores desta zona”.
Carlos Guerra lembrou que o Estado paga 75 por cento do prémio anual dos seguros, que varia de acordo com o volume da produção segurada.
Para o director regional “esta ajuda é significativa, o que não justifica que alguns agricultores continuem a arriscar perder as suas colheitas para não pagarem o valor que lhe corresponde do seguro e que é reduzido”
Porém, os agricultores apontam outras consequências, nomeadamente ao nível da apanha, que sazonalmente dava trabalho a várias pessoas da zona e que, este ano, serão desnecessárias.
Uma empresa de Carrazeda de Ansiães, a Frucar, é responsável por metade da produção da maçã e por dez postos de trabalho permanentes.
Os dirigentes alegam que os postos de trabalho estão em causa pelas dificuldades que as perdas de produção vão provocar.
O director regional de agricultura disse à Lusa que o organismo está a analisar o dossier da empresa e o apoio estatal que poderá ser disponibilizado.
Segundo Carlos Guerra esse apoio poderá traduzir-se “em alguma renegociação ou em facilitar o pagamento dos apoios financeiros que a empresa tem recebido”.
A produção de maçã foi afectada sobretudo por uma trovoada acompanhada de granizo que se abateu naquela zona, em Junho.
Nos últimos dias, a DRAPN foi chamada também a fazer o levantamento de prejuízos provocados por outra trovoada, em Grijó e Vale Benfeito, duas freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
Segundo os dados recolhidos pela direcção regional, estas freguesias perderam 40 por cento da produção de azeitona, metade das uvas nas vinhas e 35 por cento da produção de diversas árvores de furto.
Ao contrário de Carrazeda de Ansiães, estes agricultores não têm seguros de colheita pelo que não “há meio de serem ressarcidos dos prejuízos”.
“Se o Estado assumisse estes prejuízos estaria a ser injusto para os agricultores que fazem os seguros de colheita”, sustentou Carlos Guerra.
O responsável esclareceu que os danos nestas freguesias “não provocarão alterações no valor produtivo da região”.
“Nestas situações, os agricultores são sempre aconselhados a fazerem os seguros de colheita”, disse.
Fonte: Agroportal
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