O ministro da Agricultura e Pescas, Jaime Silva, anunciou uma linha de crédito de 47 milhões de euros para apoiar bovinicultores e suinicultores que se confrontam com altos custos de produção devido ao aumento na procura mundial de cereais. A par desta medida, que também inclui avicultores e produtores de ovos, Jaime Silva criou também uma “comissão de acompanhamento da crise” a funcionar no ministério, que fará diligências em Bruxelas junto da Comissão.
Falando no final de uma reunião com as associações representativas dos produtores de carne, o ministro especificou que a linha de crédito destina-se a uma “situação de transição”, cabendo 7500 euros a cada empresa pecuária, ou seja, mais 3000 euros do que a anterior, que foi “suspensa e revista”.
Registando as “preocupações face ao mercado mundial de cereais”, base das rações para animais, Jaime Silva assinalou o facto de em alguns casos “terem duplicado os preços” e lamentou o facto de a Comissão Europeia só ter aprovado a 28 de Março a entrada na Europa do milho transgénico (GA 21) da Argentina, com base em “pareceres científicos”.
“Se a Comisão tivesse aprovado há seis meses hoje esta medida já teria efeito, pelo que só daqui a três meses, uma vez que os cereais são importados pelos fabricantes de rações, que ainda as vão fazer”, afirmou o ministro, reportando-se ao facto de navios carregados desse milho já virem a caminho de Portugal e Espanha. “A União Europeia já tem regras para os OGM (transgénicos), desde que haja pareceres científicos, baseada na legislação de 2001, mas a decisão em aplicar já foi tardia”, adiantou, explicando que só podem entrar transgénicos com parecer científico.
Para Joaquim Dias, presidente da Federação das associações portuguesas de suinicultores (FPAS), após esta linha de crédito concedida, a situação é mais confortável, embora com as mesmas preocupações, agora partilhadas, com o grupo de acompanhamento a funcionar no ministério. No entanto, considerou “necessária a subida dos preços no produtor no mínimo 30 por cento”, uma vez que a linha de crédito é para sobrevivência e as rações representam 70 por cento dos custos da produção, rações que deviam baixar 20 por cento”.
Aníbal Rodrigues da Silva, presidente da Associação Nacional dos Engordadores de Bovinos (ANEB), considerou a linha de crédito uma “bonificação aos juros”, mas é preciso criar condições para os produtores e “os transgénicos, desde que estejam cientificamente avaliados, não acarretam problemas, quer para os animais quer para saúde das pessoas”. Rodrigues da Silva considerou que havia duas soluções: ou “baixar os preços dos cereais ou subir o preço da carne”.
“Caso contrário vamos deixar de ter carne portuguesa e comer carne importada, porventura com OGM não autorizados cientificanmente pela Comissão”, adiantou.
Segundo um estudo da ANEB, a actual crise começou em Junho de 2006 devido à problemática dos biocombustíveis feitos parte de cereais, suscitado pelo desenvolvimento das economias emergentes dos países BRIC, especialmente a China.
Desde então iniciou-se uma tendência na subida dos preços das principais matérias-primas para as rações animais, que não tem sido travada, aliada à entrada dos fundos de investimento no mercado dessas matérias-primas, originando uma elevada especulação que em 18 meses fez subir o milho 52 por cento, a cevada 118 por cento, o trigo 111 por cento, a soja 84 por cento e o bagaço de soja 88 por cento.
De acordo com um estudo da Direcção-Geral de Agricultura, caso a Europa não tenha entre em sintonia com o mercado mundial – onde se produzem cada vez mais transgénicos, designadamente na Argentina, Brasil e EUA – as perdas da produção são de 44 por cento na avicultura, 35 por cento na produção de suínos. No caso dos bovinos, a quebra na produção líquida será de 2,1 pontos percentuais, mas as importações crecerão 295,8 por cento e as exportações reduzidas em 100 por cento, isto se não houver alternativa para a importação de 35 milhões de tonaladas de soja, matéria-prima chave para alimentação animal.
Fonte: Anil
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