Língua Azul: Quatro explorações sequestradas no Litoral Alentejano após detecção de novos focos

Quatro explorações dos concelhos alentejanos de Odemira e Santiago do Cacém estão sequestradas devido à detecção, no início deste mês, de focos do serótipo 1 da doença da Língua Azul, revelou ontem à Lusa o Director-Geral de Veterinária.

Segundo Agrela Pinheiro, os primeiros dois focos foram detectados a 01 de Julho em duas explorações de Odemira e os restantes dois focos seis dias depois noutras duas explorações de Santiago do Cacém.

“Não há nada de excepcional nestes focos detectados no Litoral Alentejano, já que se trata de uma zona incluída na área geográfica sujeita a restrições e controlo”, afirmou Agrela Pinheiro.

A doença da Língua Azul tem sido detectada em Portugal desde os finais de 2004, mas sempre devido a vírus do serótipo 4, tendo o serótipo 1 sido detectado pela primeira vez no país a 21 de Setembro de 2007, no concelho de Barrancos, no interior alentejano e junto à fronteira com Espanha.

Desde a detecção daquele primeiro foco, foram implementadas novas medidas sanitárias, como a criação de uma nova zona de restrição e controlo, que engloba os concelhos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e sete na região Centro.

“Trata-se de um fenómeno recorrente e mais frequente no Verão e no Outono, os períodos de maior actividade do insecto que transmite a Língua Azul”, frisou o Director-Geral de Veterinária, lembrando que “estão em curso medidas de prevenção, como a vacinação obrigatória de ovinos e bovinos que se movimentem para zonas livres [fora da área sujeita a restrições e controlo]”.

Santiago do Cacém e Odemira fazem parte dos 38 concelhos incluídos na campanha de vacinação contra o serótipo 1 da Língua Azul, que arrancou no início de Novembro de 2007.

“A adopção de medidas excepcionais vai depender da evolução da doença”, disse Agrela Pinheiro, precisando que a Direcção-Geral de Veterinária “interditou a participação de gado ruminante” na Feira das Actividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira (FACECO), que começa quinta-feira e vai decorrer até domingo.

“Foi uma medida de precaução para evitar a propagação da doença”, já que a feira vai decorrer “a menos de 20 quilómetros das duas explorações de Odemira onde foram detectados os dois primeiros focos”, justificou o Director-Geral de Veterinária.

Por estas razões, a organização da FACECO “cancelou a exposição e os concursos de gado ruminante previstos”, disse hoje à Lusa o vereador do município de Odemira, Hélder Guerreiro, que lamentou a situação.

“A FACECO deste ano não vai ter uma das suas principais componentes, a pecuária”, lastimou o autarca, precisando que a decisão impediu a participação de “mais de 30 produtores de gado”, que iriam expor no certame os animais que criam no concelho, com destaque para os bovinos Limousine e Holstein Frísia, suínos de raça alentejana, ovinos Merino Branco e caprinos de raça Charnequeira.

No entanto, o autarca elogiou a “pronta actuação” dos serviços veterinários, que “foram rápidos na análise do caso e tomaram a decisão em tempo útil, evitando eventuais problemas para os produtores”.

Apesar de proibirem a presença de gado ruminante, obrigando a cancelar as edições deste ano do concurso nacional de raça bovina Limousine e dos regionais de vaca Holstein Frísia e de cabra Charnequeira, os serviços veterinários autorizaram a exposição de outras espécies de gado, como cavalos.

A Língua Azul é uma doença de origem vírica que infecta todos os ruminantes, mas que apenas se manifesta de forma grave na espécie ovina e não afecta os seres humanos, nem apresenta qualquer impacto para a saúde pública e segurança alimentar.

Fonte: Agroportal

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