O ministro da Agricultura, Jaime Silva, admitiu ontem a possibilidade de o governo vir a apoiar os produtores de gado afectado pela doença da Língua Azul caso a crise alastre.
“As agricultores portugueses podem estar sossegados porque o Governo está a pensar que, se a situação adquirir uma dimensão maior, nós não excluímos vir a dar apoios”, afirmou Jaime Silva.
O ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas falava aos jornalistas, numa herdade no concelho de Montemor-o-Novo, depois de um almoço com caçadores, para assinalar a abertura da época geral da caça.
À margem do encontro, questionado sobre a doença da Língua Azul, que já afecta seis dezenas de explorações pecuárias do Baixo Alentejo e Algarve, o ministro reconheceu que a situação é “grave e preocupante”, mas “não é gravíssima”.
Nesse conjunto de explorações, disse, existe um efectivo pecuário de 11 mil animais, dos quais “900 estão debilitados, o que pressupõe que estejam já atingidos”, tendo até ao momento, segundo os dados mais recentes, morrido 399 ovinos.
“Temos de ter a noção de que estamos apenas com sensivelmente 300 animais mortos. Temos uma percentagem de três ou quatro por cento de animais mortos por exploração, o que é pouco relativamente ao universo das explorações sob controlo, com um efectivo de 11 mil animais”, acentuou.
O Governo, disse Jaime Silva, está a acompanhar esta situação “com atenção, mas sem alarmismos” e já foi encetado diálogo com Bruxelas para saber como é que se pode “minorar o impacto” junto dos agricultores afectados “se a crise alastrar”.
O ministro da Agricultura revelou ter falado ontem com a sua congénere espanhola para analisar quais as compensações, por animal morto devido à Língua Azul, que poderão ser negociadas com a Comissão Europeia.
O processo relacionado com esta doença, acrescentou, está “no início”, mas não deixará de haver “solidariedade para com os agricultores portugueses” afectados.
Quanto à vacina para prevenir e conter o serotipo 1 da doença da Língua Azul, que é o que afecta as 60 explorações pecuárias, deverá estar disponível em Portugal “dentro de 15 dias”.
“A minha colega espanhola da Agricultura disse que, na próxima semana, começam a fazer a experimentação da vacina e, se tudo correr bem, dentro de 15 dias será disponibilizada às autoridades portuguesas”, revelou Jaime Silva, frisando que a vacina será gratuita.
O ministro destacou ainda: “todos podemos dar uma ajuda” aos produtores pecuários atingidos pela doença mantendo o consumo de carne de borrego, pois, a Língua Azul “é um problema sanitário, não de saúde pública”.
“Os portugueses podem continuar a consumir carne de borrego, que é óptima e eu recomendo, porque é a melhor forma de ajudarmos as agricultores. Não há qualquer problema sanitário do ponto de vista do consumo”, afiançou.
Fonte: Agroportal
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