Língua Azul: Doença já alastrou à região Centro com um foco confirmado em Castelo Branco

A doença da Língua Azul já alastrou à região Centro com um foco confirmado no distrito de Castelo Branco, o primeiro fora do Alentejo e Algarve, as únicas regiões até agora afectadas, revelou ontem o ministro da Agricultura.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita a uma herdade com plantação de olival em Ferreira do Alentejo (Beja), Jaime Silva declarou que já há um foco de Língua Azul confirmado numa exploração no concelho de Penamacor (Castelo Branco), “muito próximo da fronteira” com Espanha e “o primeiro a Norte do rio Tejo”.

O governante confirmou ainda que já estão confirmados três focos da doença no concelho de Elvas e um outro suspeito em Nisa, no distrito alentejano de Portalegre.

Jaime Silva disse também que a vacina para prevenir o serótipo 1 da Língua Azul, que actualmente está a ser experimentada, já foi testada em mil ovelhas no Alentejo.

“Nas mil ovelhas testadas não há reacções secundárias e há uma resistência à infecção”, salientou o ministro, adiantando que a vacina deverá estar disponível gratuitamente a partir de “06 ou 07 de Novembro”, para “travar a expansão da doença”.

“A partir de 06 ou 07 de Novembro, vamos começar a vacinar, progressivamente, o efectivo ovino, que em Portugal, maioritariamente, não está afectado”, disse o titular da pasta da Agricultura.

Apesar de referir que “o Governo não pode dizer que vai ter vacinas para todo o efectivo ovino nacional, de dois milhões de animais”, porque “está a ser produzida e vai ser vendida imediatamente em Espanha”, Jaime Silva garantiu que vão ser disponibilizadas “as vacinas necessárias” para vacinar apenas “os rebanhos que não têm problemas”.

“Porque nos rebanhos que já foram atingidos, ao fim de quatro a cinco semanas, os animais criam anticorpos, ganham resistência e sobrevivem sem qualquer problema”, explicou.

De acordo com o Ministério da Agricultura, até às 12:00 de hoje havia 579 explorações pecuárias sob suspeita, que englobam um total de 125.200 animais.

Destes, 3.128 já morreram desde que foi confirmado o primeiro foco do serótipo 1 da Língua Azul em Portugal, a 21 de Setembro no concelho alentejano de Barrancos.

Para Jaime Silva, trata-se de uma taxa de mortalidade “muito inferior” à verificada em Espanha e que permite a Portugal “encarar com alguma tranquilidade o controlo da doença através da vacinação”.

O Governo vai apoiar os produtores pecuários afectados pela doença da Língua Azul, pagando “entre os 55 e os cem euros” por cada animal morto.

Estes apoios para indemnizar os produtores pela mortalidade causada pelo serótipo 1 da doença destinam-se às explorações onde “os animais estão identificados e que foram já objecto das medidas de 2004 relativamente ao serótipo 4” da doença.

Desde a detecção do primeiro foco do serótipo 1 da Língua Azul, foram implementadas novas medidas sanitárias, como a criação de uma nova zona de restrição e controlo, que actualmente engloba os concelhos de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e sete na região Centro.

Sequestro das explorações afectadas, controlo dos movimentos dos animais, meios de transporte e explorações, assim como testes de pré-movimentação, são outras das medidas sanitárias adoptadas.

A Língua Azul é uma doença de origem vírica que infecta todos os ruminantes, mas que apenas se manifesta de forma grave na espécie ovina e não afecta os seres humanos e não apresenta qualquer impacto para a saúde pública e segurança alimentar.

Fonte: Agroportal

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