Língua Azul: Direcções-Gerais de veterinária de Espanha e Portugal querem estratégia comum de vacina

Os Directores-Gerais de Veterinária de Portugal e Espanha defenderam sexta-feira a necessidade de «uma abordagem comum na implementação de estratégias de vacinação dos bovinos contra a doença do serotipo 4 da língua azul».

No termo da 47ª Reunião Luso-Espanhola de Serviços Veterinários, que decorreu durante três dias em Angra do Heroísmo (Açores) os responsáveis veterinários defenderam «a apresentação à Comissão Europeia (CE) de uma estratégia comum no âmbito do financiamento comunitário».

De acordo com as conclusões do encontro, que reuniu cerca de três dezenas de responsáveis técnicos e políticos dos serviços veterinários dos dois países, «a evolução favorável do combate àquela doença comprova que a vacinação é a arma mais eficaz».

A estratégia, nomeadamente financeira, a adoptar para implementação no próximo ano será definida durante uma reunião bilateral a realizar em Outubro.

Os responsáveis portugueses e espanhóis preconizam «um reforço do debate científico que possibilite o estabelecimento de estratégias adequadas para acelerar a erradicação de doenças como a tuberculose, brucelose e leucose dos bovinos, bem como a brucelose dos pequenos ruminantes», e reconheceram ainda que os programas de vacinação com a vacina RB51 e REV1 têm sido importantes ferramentas no controlo da brucelose.

Os técnicos sublinharam também a necessidade de ser implementado um programa de vigilância epidemiológica da fauna selvagem pelo facto de ser um dos reservatórios das doenças transmissíveis aos animais domésticos.

Na área da identificação animal acordaram num intercâmbio de informação sobre o desenvolvimento dos sistemas informáticos que suportam a movimentação animal.

Carlos Escribano, Director-geral dos Recursos Agrícolas e Ganaderos de Espanha, considerou «o combate à doença da língua azul como a tarefa mais importante em toda a Europa».

«Por esse facto pensamos que devemos apresentar à CE uma estratégia comum que passe pela vacinação massiva dos efectivos bovinos, como a melhor solução para a erradicação da doença que afecta vários estados da União», defendeu.

O Director-geral de Veterinária de Portugal, Carlos Agrela espera que a CE «aceite os pontos de vista» de portugueses e espanhóis «sobre uma estratégia de vacinação que provou ser eficaz nos últimos anos».

«Provámos que com uma estratégia de vacinação é possível erradicar a doença e por isso tem de existir um esforço na manutenção do esforço de financiamento destes programas», disse Carlos Agrela, adiantando que Portugal precisa de cinco milhões de doses de vacinas para aplicar num efectivo de cerca de um milhão de bovinos e três milhões de ovinos.

Nos Açores não existe qualquer registo de infecção de animais com a doença da língua azul, como também se desconhecem, no arquipélago, animais infectados com tuberculose, leucose, gripe das aves ou encefalopatia espongiforme (BSE ou doença das vacas loucas).

A brucelose, segundo Joaquim Pires, Director Regional do Desenvolvimento Agrário, é inexistente nos pequenos ruminantes, ovinos e caprinos; enquanto nos bovinos a prevalência na região é de 0,2 por cento.

«Neste momento quatro das ilhas, nomeadamente, Corvo, Flores, Pico e Graciosa, são oficialmente indemnes, próximas de o ser estão as ilhas do Faial e Santa Maria e as restantes três, Terceira, São Jorge e São Miguel, com a possibilidade de o ser a curto prazo», acrescentou.

Os Açores desenvolvem desde 2001 o “Plano de Erradicação da Brucelose nos Açores – A Estratégia da Vacinação”, com a vacina RB51, período no qual efectuaram mais de 200 mil vacinas, que custaram mais de 300 mil euros, ao custo unitário de um euro e 50 cêntimos.

Com o apoio de fundos europeus, foi desenvolvido paralelamente um programa de abate de mais de 23 mil animais, que custou cerca de 28 milhões de euros.

Fonte: Confagri

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