Leite: Negociações entre produtores e distribuidores alemães

O sector da distribuição fez ontem um gesto na direcção dos produtores de leite alemães, em greve desde há seis dias e criticados pela Organização de Cooperação e do Desenvolvimento Económico (OCDE).

Discussões sobre o preço do leite decorreram ontem pela primeira vez entre representantes da federação do pequeno comércio (HED) e os produtores de leite em Colónia (ocidental), segundo a federação BDM dos produtores de leite.

A Federação BDM reclama que as centrais leiteiras e as grandes superfícies paguem aos produtores de leite 43 cêntimos por litro, contra os 28 a 34 cêntimos que estão a ser praticados nesta altura, para compensar o aumento de 7 cêntimos dos custos de produção ligados ao aumento dos preços da energia e das forragens.

Os distribuidores Edeka e REWE, por seu lado, manifestaram-se em princípio dispostos a negociar para normalizar o abastecimento numa altura em que se já se sente a escassez nos supermercados devido à greve dos distribuidores de leite. Defenderam, paralelamente, o mecanismo da oferta e da procura para a fixação dos preços do leite.

Os produtores de leite querem obter “dentro de 48 horas” um aumento dos preços, fez saber o Secretário-Geral da Federação dos Agricultores (DBV), Helmut Born à rádio berlinense RBB.

A federação BDM dos produtores de leite prevenira durante a manhã que continuaria a greve do fornecimento de leite.

“Os 43 cêntimos por litro são uma obrigação absoluta. Isso deve ser o preço mínimo”, declarou o seu presidente Romuald Schaber, à cadeia de televisão ZDF.

A federação da indústria leiteira ameaçou exigir em tribunal indemnizações por perdas e danos aos produtores de leite.

“Em vez de chorarem lágrimas de crocodilo porque o preço do leite recuou um pouco em relação aos preços recordes do ano passado, os produtores deviam antes dançar de alegria por os preços continuarem nitidamente mais altos do que há dois anos”, criticou o director para o comércio e a agricultura da OCDE, Stefan Tangermann, na edição da próxima terça-feira do diário económico Handelsblatt.

Tangermann censurou também os produtores por terem deitado leite fora em grandes quantidades em sinal de protesto e pelo apoio que obtiveram domingo do ministro da Agricultura, Horst Seehofer.

“Numa altura de penúria alimentar mundial que conduz a revoltas noutros países, estas acções de deitar fora em grande pompa alimentos numa Alemanha a nadar de abundância com a bênção da política não suscitam compreensão no estrangeiro”, acrescentou,

Uma reunião realizou-se também ontem em Berlim entre o ministro federal Seehofer e os seus homólogos regionais.

“Compete ao sector económico fixar os preços” do leite, disse o ministro.

Seehofer estimara numa entrevista publicada domingo que as reivindicações dos grevistas eram justificadas e que “tinha sido atingido” o limite do que eles podiam suportar.

Fonte: Agroportal

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