O Governo Regional dos Açores anunciou que «em breve» vai avançar com negociações com associações agrícolas e industriais para a criação de uma fórmula indexante ao preço do leite pago ao produtor na Região.
O objectivo é que o valor pago aos produtores evolua em conformidade com o mercado do Continente Europeu, cuja ideia foi bem recebida pela associação agrícola da ilha terceira, sendo vista como uma medida que pode ser o princípio do fim da desconfiança da lavoura em relação à indústria.
Uma opinião semelhante tem o professor da Universidade dos Açores (UA), José Matos, que considera a mesma «muito positiva para o sector», e que pode ser o fim «da guerra a que se assiste todos os anos em torno do preço do leite».
Segundo o professor da UA, desta forma os preços podem «entrar em linha de conta com os preços médios praticados na Europa, dando o exemplo da LTO, uma organização holandesa, que disponibiliza todos os meses os valores «pagos pelas principais empresas aos produtores».
Outros indicadores positivos para avançar com a fórmula indexante pode ser os preços praticados mo mercado em relação a produtos como o queijo ou leite em pó de venda ao público que são produzidos em quantidades consideráveis.
Para José Matos é também importante encontrar uma «margem de manobra» que tenha em conta o factor do custo de transporte e mantenha o leite açoriano competitivo, sobretudo devido ao fim da quotas leiteiras na União Europeia.
O presidente da Federação Agrícola dos açores, Jorge Rita, em declarações à RDP, acredita na adopção desta fórmula, mas desconfia que a indústria a aceite de «braços abertos».
Do lado das indústrias, Mancebo Soares, da UNICOL, recusa-se a prestar declarações aprofundadas até conhecer a proposta, no entanto, adianta que «a este respeito a UNICOL tem uma posição de princípio», afirmando que «a economia actual não se compadece com preços fixados de forma administrativa que se revelam depois prejudiciais para os utilizadores».
Já fonte da Insular afirma que a medida em causa dificilmente se poderia aplicar a todas as empresas das várias ilhas, visto estas diferirem muito no tipo de produtos que fabricam.
Fonte: Confagri
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