Leite: Excedentes a baixo preço invadem mercado europeu

Os agricultores da União Europeia sofrem com os preços em forte queda, sacrificam animais e encerram explorações, o que exige explicações para a situação, diz o El País.

A Espanha, detentora de uma quota que corresponde a dois terços do seu consumo de leite, converteu-se numa espécie de escoador daquele produto barato que sobra em França, enquanto isso, no país vizinho as empresas mexem nos seus preços, aumentam os stocks e abandonam rotas de recolha.

Depois de um período de preços inflacionados, Bruxelas introduziu dois por cento de quotas, mais de 2,8 milhões de toneladas de leite no mercado europeu, de forma a responder às previsões de um aumento da procura em todo o mundo.

De acordo com dados divulgados pela Comissão Europeia (CE), entre 2007 e 2013 o crescimento da procura foi calculado em cerca de 5,5 milhões de toneladas e as previsões referiram que, para 2014, seriam necessários mais oito milhões de toneladas para fazer face ao aumento do consumo de produtos lácteos frescos, sobretudo do queijo.

Actualmente a realidade é diferente e sobra leite em todos os Estados-membros, com uma quebra acentuada dos preços, em algumas zonas da Europa a rondar menos de 20 cêntimos por litro.

Em alguns países verifica-se uma redução massiva dos efectivos nas explorações e até o abandono da actividade, uma situação vivida quando a própria Comissão implementou um conjunto de medidas de atenuamento, as quais, até à data, mostraram ser insuficientes.

A Alemanha, um dos países mais afectados, tentou reabrir o debate fase à posição irredutível da Comissária no Conselho de segunda-feira passada, com as organizações agrárias também a reclamarem a necessidade de ampliar os actuais mecanismos de intervenção.

Por outro lado, a crise económica provoca uma quebra da procura, justamente quando a produção estava em aceleração, devido ao crescimento das marcas de baixo preços, factores que no seu conjunto criaram uma situação explosiva para produtores e indústrias.

Se anteriormente e tradicionalmente os excedentes comunitários eram direccionados para os mercados de exportação, hoje, com a quebra da procura à escala global esses excedentes inundaram o mercado comunitário e neste, em especial nos países deficitários, entram quer sob a forma de leite embalado, quer de produtos mais elaborados, como os queijos curados e fundidos.

Em Espanha, estas importações foram realizadas directamente pelas indústrias espanholas ou externas, perante a necessidade de oferecer preços baixos à grande distribuição a partir de uma matéria-prima adquirida a preços mais baixos.

Contudo, as organizações de produtores denunciam as importações maciças de leite já embalado, seja pela distribuição ou até pelas próprias empresas e as suspeitas de recombinação de leite, esta através de leite em pó ou concentrado, uma prática proibida pela legislação espanhola e comunitária.

A consequência deste grande volume de entradas é o facto da produção espanhola ficar claramente mais uma campanha abaixo da respectiva quota nacional e, ao mesmo tempo, os excedentes atingirem um volume recorde, para além dos produtores, que se há meses recebiam 0,45 cêntimos por litro, agora devem contentar-se com 0,30, ou até menos.

As empresas de lacticínios, que em muito casos foram as responsáveis pelos problemas no sector, hoje são também vítimas das exigências da grande distribuição e da queda da procura.

As empresas viram os seus stocks crescer tanto que nalguns casos decidiram não apenas baixar os preços, como ainda deixar de recolher o leite aos produtores.

Esta situação leva a indústria e organizações agrícolas a concordarem com a urgência de colocar em marcha planos de reestruturação, com dois lados distintos, os quais, o lado da produção, que pretende ganhar exportações mais bem dimensionadas e mais competitivas, e o da indústria, que quer defender 30 mil postos de trabalho directos e um volume de negócios na ordem dos oito mil milhões de euros.

Fonte: Confagri

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