O presidente do Comité Nacional do Leite, João Cotta Dias, defendeu hoje a necessidade de Portugal avançar com uma estratégia de desenvolvimento do sector leiteiro, que permita evitar que a actividade esteja sujeita às diferentes conjunturas.
Em Portugal, o sector “vai-se adaptando à conjuntura” em função da “influência política” de cada momento, alertou João Cotta Dias, que falava no V Seminário do Comité Nacional do Leite, que hoje se iniciou em Ponta Delgada, nos Açores.
Segundo disse, o país não dispõe de um programa específico e integrado, que junte o Continente e os Açores, para o desenvolvimento do sector leiteiro, ao contrário de Espanha que tem em curso um projecto de reordenamento agrário, que ascende a 29 milhões de euros anuais.
“Espanha está a reorganizar-se” nesta área, disse o responsável do CNL, salientando não ver “grande problema” nesta evolução, já que aquele país estava “mais atrasado” do que Portugal em certas áreas, como a qualidade da matéria-prima.
João Cotta Dias defendeu ainda que Portugal pode entrar no mercado espanhol através de uma estratégia de produtos de alta qualidade, já que não possui dimensão para concorrer com “produtos de largo consumo”.
“Se eles [espanhóis] vêm cá, nós temos de lá [a Espanha] ir”, disse o presidente do CNL aos jornalistas, à margem do seminário que vai abordar as perspectivas para o sector leiteiro português na nova Europa comunitária.
Relativamente aos Açores, João Cotta Dias defendeu que o arquipélago tem de optar “pela qualidade e inovação”, alegando ser difícil na Europa encontrar uma região com as “condições excepcionais” que as ilhas apresentam para produzir leite.
O “grande futuro dos Açores” pode passar por produzir leite de qualidade, caso da produção biológica, uma nova vertente que não passava de uma “utopia” num passado recente, disse.
Além disso, o sector leiteiro da região necessita de uma reestruturação, que passe por menos produtores e mais vacas por exploração, em conjunto com uma estratégia de certificação de produtos, acompanhada por um “esforço de marketing”, salientou.
No primeiro dia dos trabalhos, Adriaan Krijger, da Federação Internacional de Lacticínios, salientou que Portugal está numa “posição forte” em relação à indústria de lacticínios, mas deve concentrar-se no mercado interno comunitário.
O país importa mais do que exporta neste sector, assegurou o especialista holandês, que alertou para a existência de espaço para melhorar a eficiência nacional de produção.
Segundo Adriaan Krijger, a União Europeia dispõe de 27,4 por cento da quota mundial, enquanto que Portugal representa 1,4 por cento da produção dentro da Europa a 25 estados-membros.
A quota da União Europeia no mercado mundial será apenas de 10 por cento dentro de alguns anos, o que implica que se deve focar no mercado interno, que “será mais lucrativo”, disse.
O responsável adiantou ainda que os novos estados-membros representam 60 por cento dos produtos da União Europeia, enquanto que Portugal estava no primeiro lugar ao nível do investimento no sector em 2002.
Fonte: Agroportal
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