Leite com os preços nas nuvens

Os 3.200 produtores de leite que se mantêm em actividade nas Asturias apenas acreditam no que vêm os seus olhos quando recebem, no final do mês, o documento com o pagamento do leite por parte das indústrias às quais vendem habitualmente a sua matéria-prima.

As subidas sucedem-se de mês para mês e esta escalada parece ainda longe do seu fim. A CLAS já implementou duas subidas consecutivas e entretanto anunciou uma terceira. A Reny Picot (ILAS) também implementou importantes subidas de preços.

O leite no campo asturiano já alcança um preço médio de 40 cêntimos, um valor impensável há apenas alguns meses. O sector lácteo para estar a passar por uma ‘bonança’ que alguns especialistas prognosticam que se prolongará por mais dois ou três anos. Outras opiniões, menos optimistas preferem falar de um ciclo de expansão com a duração de um ano

O aumento dos preços do leite na União Europeia, Espanha e, logicamente, nas Astúrias continua imparável. Além disso, o fenómeno não é exclusivo do velho continente. Nos Estados Unidos, onde o leite se vende em galões e um galão equivale a cinco litros, o preço de um galão já supera os cinco dólares nos supermercados.

As causas fundamentais da subida são quatro: o aumento da procura na Ásia (China, Índia e Coreia do Sul), a seca a Nova Zelândia e Austrália, o aumento dos custos das matérias primas destinadas ao fabrico da alimentação animal, como o milho, cada vez mais procuradas para a produção de biocombustíveis e a iminente chegada da liberalização do sector, em relação à qual os diversos países europeus vão tomando posição.

O preço do litro de leite ao consumidor rondará um euro em finais do ano se se cumprirem as previsões das principais empresas lácteas espanholas. Pedro Astals, da CLAS/CAPSA, situa o inflaccionamento do preço do leite ao consumidor entre 15 e 18 cêntimos ao longo do segundo semestre

Outro dos culpados da subida de preços é o etanol, um novo combustível de origem vegetal que requer milho para a sua produção. O milho, em muitas zonas, o principal alimento para as vacas. O preço do milho aumento mais de 60 por cento no último ano, o que, obviamente, aumentou os custos de exploração dos produtores.

O sector, contudo, preocupa-se com este disparo dos preços. Os empresários e os produtores querem que os preços do leite subam, mas não tanto que motivem uma retracção do consumo e convém não esquecer que os aumentos ao nível da alimentação animal tem efeitos ao nível dos preços de outros produtos da agro-pecuária, como o frango, os ovos ou as carnes de bovino ou de suíno.

Fonte: Anil

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