Por causa do violento temporal que, há pouco mais de um mês, provocou um rasto de destruição nunca visto nas estufas do Oeste, os legumes no nosso país aumentaram no espaço de apenas um mês mais de 23 por cento.
Ao que o Correio da Manhã apurou junto de três cadeias de supermercados (Jumbo, Modelo e Pingo Doce) e de dois mercados municipais (Braga e Lisboa), entre 20 de Dezembro e 20 de Janeiro, apenas se mantiveram inalterados os preços do tomate e da cenoura, tendo subido o preço das hortaliças, alface, batata, cebola, nabo e feijão, verde e seco (ver gráfico).
Atendendo a que uma família de quatro pessoas gasta, em média, por mês, 6 quilos de alface, dez de tomate, 35 de batata, 18 de hortaliça, 15 de cebola, 8 de cenoura, 5 de nabo, 5 de feijão verde e dez de feijão seco, o custo total – que antes do temporal era de 126,9 euros – passou a ser agora de 156,5 euros, mais 29,6 euros. Tratou-se de um aumento de 23,3 por cento em apenas 30 dias.
A alface (mais 50 cêntimos por quilo) e o feijão verde (mais 70 cêntimos) foram os legumes que registaram os aumentos mais significativos, não sendo alheio a isso o facto de se tratar de dois vegetais que, nesta altura do ano, apenas se produzem em estufa.
Maria Teresa, vendedora há mais de 40 anos no Mercado Municipal de Braga, disse ao CM que “no Inverno, a maioria dos legumes fica sempre mais cara, mas desta vez, por causa dos temporais, o aumento foi um pouco maior”.
Sublinhando que, na sua banca, só há “produto nacional”, esta comerciante assegura que, “nos supermercados, os legumes só não passaram para o dobro porque há muita coisa que vem de outros países, como a Espanha e a França”.
No entanto, como a Região do Oeste é responsável por cerca de 40 por cento dos legumes consumidos em Portugal e atendendo à dimensão dos estragos, o aumento dos preços tornou-se inevitável.
SOPA FEITA EM CASA CUSTA 0,5€ POR PESSOA
Por causa do preço a que estão os legumes, a sopa feita em casa, que há alguns anos pouco significado tinha nos custos da alimentação, já atingiu os 50 cêntimos por pessoa. “Lá em casa somos cinco pessoas e eu faço sempre sopa ao meio-dia, em quantidade que dê para a noite, e posso dizer-lhe que nunca me fica por menos de cinco euros”, disse ao CM Maria da Anunciação, uma dona de casa de 60 anos que diz nunca ter visto os legumes tão caros como agora. Para ser completa, diz esta cozinheira, a sopa, para além da água, do sal e do azeite, tem de levar entre cinco e sete legumes diferentes. “Quando leva batata, pode evitar-se o arroz ou a massa, mas tem sempre de ter cenoura, abóbora, brócolos ou couve-flor, alho francês ou cebola e nabo. Se fizermos as contas a tudo, já não fica nada barato”, explica Maria da Anunciação.
GÁS DE GARRAFA JÁ ENCARECEU DESDE ESTE ANO
É mais uma despesa a ter em conta pelas donas de casa: o gás de garrafa aumentou mais de quatro por cento, tendo a garrafa de gás propano de 45 quilos passado de 70,65 para 73,9 euros, ou seja, mais 3,25 euros.
Já o gás butano – garrafa de 13 quilos – aumentou 75 cêntimos, tendo passado, estes dias, de 19,1 para 19,85 euros.
Este foi o maior aumento registado em mais de ano e meio, ou seja, desde meados de 2008, altura em que os combustíveis atingiram máximos históricos. Vale o facto de se manterem, para já, inalterados os preços do gás natural.
PORMENORES
AUMENTO EXCEPCIONAL
As cadeias de supermercados asseguram que os aumentos verificados foram excepcionais e que, tudo indica, que haja descidas em breve.
FRUTA MANTÉM
Apesar de o temporal também ter afectado muitos pomares na zona de Alcobaça, o mais certo é que não haja aumento de preços.
PREJUÍZOS
Os ventos fortes e o mau tempo registados no final do ano resultou num prejuízo de 22 milhões na Região do Oeste.
Fonte: Correio da Manhã
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