A produção de laranja, na região algarvia, vai chegar este ano às 260 mil toneladas, acima dos valores médios (200 mil), mas a abundância tem reflexos negativos para os produtores: o excesso de oferta faz baixar o preço à saída do pomar.
“As laranjas estão a ser vendidas entre os 10 e os 20 cêntimos o quilo. É praticamente impossível cobrir os custos de produção”, refere Horácio Ferreira, gerente da Cacial, uma das maiores cooperativas frutícolas da região. Os pequenos produtores, que representam 40% dos associados da Cacial, são os mais afectados. “Os grandes produtores têm maior facilidade de escoamento e custos menores por unidade produtiva”, explica Horácio Ferreira.
Paulo Pereira, pequeno produtor de Silves, diz que quem comanda os canais de escoamento se aproveita da situação e prevê um futuro negro com a revisão das regras dos subsídios comunitários: “Passarão a ter como medida não o quilo mas o hectare. Ninguém espere que nos paguem mais.”
O Algarve tem duas fábricas de derivados da laranja, uma de reduzida dimensão (Epaminondas) e outra de capital espanhol (Lara), que, segundo Horácio Ferreira, não consegue absorver toda a produção da região e compra noutros pontos do País. A exportação, sustenta, “é o caminho a seguir para resolver parte das dificuldades vividas pelo sector”.
Fonte: Correio da Manhã
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