O Ministro da Agricultura, Jaime Silva, admite a hipótese de o Estado português vir a estabelecer parcerias com a Associação para o Laboratório Interprofissional do Sector do Leite e Lacticínios (ALIP) destinadas ao «estudo ou investigação pública». A afirmação, que vem ao encontro das pretensões dos seus dirigentes, foi proferida em Lousada, à margem da cerimónia de inauguração do LIP, que entrou em funcionamento em Outubro. O projecto representou um investimento de 4,1 milhões
de euros, suportados pelo Estado em 3,5 milhões, através do programa Agro.
«Este é um projecto que foi concretizado devido à teimosia do senhor Fernando Mendonça», afirmou, eufórico, Cláudio Cattaneo, presidente da Parmalat Portugal. Um laboratório que «acaba com todas as dúvidas que ainda pudessem existir quanto à classificação do leite em Portugal», disse, por sua vez, Casimiro de Almeida, Presidente da Lactogal, igualmente em declarações ao VE, que surgem, aliás, na linha das proferidas por Jaime Silva, ao realçar que «este investimento prova que o sector privado pode assegurar a segurança do consumidor».
«Este não é um laboratório do Estado, é um laboratório interprofissional, onde temos [representados] a produção, os compradores e a indústria, toda a fileira, assegurando que o leite e os produtos transformados que chegam ao consumidor são analisados aqui em termos de amostra, recorrendo a alta tecnologia», afirmou o governante. O Ministro da Agricultura, que visitou o interior do laboratório e acedeu a todo o processo, desde a chegada das amostras – mais de 3000 por dia – à sua catalogação, anónima, e posterior análise e classificação, mostrou-se visivelmente agradado com o destino dado aos 3,5 milhões de euros do programa Agro que ajudaram a financiar este laboratório interprofissional. «Este é daqueles investimentos que satisfazem qualquer ministro da agricultura», revelou.
Controlo informático e anónimo de amostras
Questionado pelos jornalistas sobre o repto, lançado minutos antes, por Fernando Mendonça, presidente da ALIP, citando experiências de países europeus em que os estados, ao invés de investirem em laboratórios próprios, trabalham em parceria com estruturas laboratoriais privadas, Jaime Silva foi claro: «Esse é um desafio que já devíamos ter aceite há uns anos a esta parte, em vez de andarmos a sobrecarregar os diferentes organismos do Ministério com laboratórios». O certo é que «todos os governos, até hoje, têm apostado em criar laboratórios. Este Governo herdou um conjunto de infra-estruturas, nas direcções regionais, espalhadas em todo o país e não podemos passar, de um dia para o outro, desse modelo, para o qual houve investimentos, avultados, com financiamentos comunitários», salientou.
Fonte: Anil
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