‘Kiwis’ esperam certificação há mais de um ano

Candidatura à implementação de uma Identificação Geográfica de Proveniência está em análise e ainda não teve resposta

O kiwi nacional “candidatou-se” ao estabelecimento de uma Identificação Geográfica Protegida (IGP) que identifique e certifique a elevada qualidade destes frutos produzidos em Portugal. O processo está em análise no Ministério da Agricultura há mais de um ano, mas tudo indica, adiantou ao DN a secretária-geral da Associação Portuguesa de Kiwicultores (APK), Liliana Perestrelo, que a aprovação “estará para breve”. Kiwis Noroeste de Portugal será a marca de certificação.

Aumentar o consumo interno de kiwis em cerca de 25% e conseguir que as exportações, que até agora rondam os 30%, abranjam 50% da produção, são os objectivos por detrás deste projecto.

Portugal produz, em média, 12 mil toneladas de kiwis ao ano, mas os portugueses consomem 20 mil toneladas ao ano deste fruto, cujo teor de vitamina C é ainda superior ao da laranja. A meta da APK é atingir, em 2013, uma produção da ordem das 20 mil toneladas. “Teremos sempre de importar kiwi, porque este fruto é consumido durante todo o ano, mas a produção nacional só está disponível entre Novembro e Julho”, explicou ao DN o presidente da associação, Alberto Rebelo.

Uma maior valorização do produto é outro dos objectivos da IGP. “Esperamos obter um kiwi seleccionado, que o consumidor prefira e aceite pagar mais por ele”, refere Liliana Perestrelo. Já Alberto Rebelo estima que a certificação possa permitir um aumento de preço da ordem dos 20%.

A delimitação geográfica de produção dos Kiwis Noroeste de Portugal abrange o Entre-Douro e Minho e a Beira Litoral, ou seja, entre os rios Minho e Mondego. As características climáticas desta região, que ao contrário dos nossos concorrentes europeus, como a França e a Itália, não está sujeita a geadas no Outuno, permitem a colheita mais tardia dos frutos, entre Novembro e a primeira quinzena de Dezembro. Facto que, só por si, gera frutos com um maior grau de matéria seca e de teor de açúcares, bem como de fibras, vitaminas, ferro e cálcio, concedendo “características de sabor superiores” ao Kiwi Noroeste de Portugal. As características climáticas da região permitem ainda, refere Liliana Perestrelo, que esta seja uma cultura praticamente sem pragas e doenças, o que evita o recurso a químicos, dando origem a uma produção “mais ecológica”. Na Europa há duas IGP: os Kiwis de l’Adour, de França, e os Kiwis Latina, de Itália.

Fonte: Diário de Notícias

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