Insegurança Alimentar Afecta 335 Mil Pessoas no Planalto Central de Angola

O Programa Alimentar Mundial (PAM) informou hoje, em Luanda, que 335 mil pessoas vivem numa situação de insegurança alimentar na região do planalto central de Angola, onde se estima que residam cerca de 1,8 milhões de habitantes.

Os dados constam das conclusões do inquérito sobre segurança alimentar e modo de vida no meio rural realizado por esta agência das Nações Unidas entre Novembro e Janeiro na região central de Angola, abrangendo as províncias de Benguela, Bié e Huambo.

As conclusões apontam para a existência de 335.829 pessoas em situação de insegurança alimentar, enquanto outras 512.367 pessoas vivem numa situação de vulnerabilidade elevada.

A insegurança alimentar existe quando ocorre uma deficiência crónica de alimentos, enquanto a vulnerabilidade elevada reflecte uma situação em que as pessoas apenas consomem uma refeição por dia.

O estudo, divulgado numa conferência de imprensa em Luanda, envolvendo mais de um milhar de agregados familiares, em 160 comunidades, refere que 19 por cento dos agregados familiares estão em situação de insegurança alimentar, 30 por cento vivem em vulnerabilidade elevada e outros 19 por cento encontram-se numa situação de vulnerabilidade moderada.

O inquérito, que custou cerca de 120 mil dólares, alerta ainda que as taxas de má nutrição severa são especialmente elevadas nos primeiros meses de vida das crianças.

Entre as crianças com menos de cinco anos que vivem no planalto central, 13,4 por cento sofrem de má nutrição aguda e 45,5 por cento vivem em situação de má nutrição crónica, além de 46 por cento apresentarem baixo peso.

Por outro lado, as conclusões do estudo indicam que cerca de 80 por cento das despesas dos agregados familiares estão relacionadas com a alimentação, que 93 por cento das famílias utilizam a lenha para cozinhar os alimentos e que os rios são a principal fonte de água das populações daquela região.

A agricultura é a principal actividade de 94 por cento da população do planalto central angolano, onde 67 por cento dos agregados familiares são constituídos por antigos deslocados de guerra.

Segundo os dados obtidos neste inquérito, 44 por cento dos agregados familiares têm recebido ajuda alimentar, 34 por cento beneficiaram de ajudas agrícolas e 18 por cento receberam assistência não alimentar.

Relativamente às condições de habitação, o estudo mostra que 56 por cento das famílias vivem em casas de adobe e 31 por cento residem em construções de madeira cobertas com capim.

Na apresentação deste estudo, a directora-adjunta do PAM em Angola, Sonsoles Ruedas, afirmou que “a maior necessidade destas populações tem a ver com a escassez de instrumentos de produção agrícola, nomeadamente veículos de tracção animal e charruas, e não com ajuda alimentar pontual”.

Por essa razão, anunciou, o PAM vai privilegiar nos próximos três anos “a implementação de um projecto de protecção e reabilitação social, que inclui a merenda escolar e a reabilitação nutricional”.

Este projecto terá especial incidência nas províncias de Benguela e do Bié, salientou Sonsoles Ruedas.

Fonte: Lusa

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