Iniciativa para promoção dos produtos nacionais

O Ministério da Agricultura está a preparar, em parceria com as associações do sector e da área da distribuição alimentar, uma iniciativa para promover os produtos portugueses de qualidade, disse em Braga António Serrano. O ministro referiu que o projecto, a concluir no primeiro semestre de 2010, envolve os produtores, a indústria e a distribuição, unidos para «aumentar a substituição de produtos importados por nacionais, de qualidade».

«Estamos a discutir o modo de aproveitar a distribuição para promover os produtos de qualidade portugueses, colocando-os, por exemplo, numa área própria perfeitamente identificados como portugueses para que o consumidor perceba o que tem à frente e possa comprar português em detrimento do que vem do estrangeiro», afirmou.

António Serrano considera que Portugal tem produtos de melhor qualidade que os importados, embora, por vezes, possam ter um custo mais alto. «Vou ouvir várias entidades para definir um programa conjunto que possa ajudar num processo de concertação entre a produção e a distribuição e que contenha mecanismos de intervenção que ajudem o produtor português a escoar a sua produção ao melhor preço», referiu.

Disse que se pretende «monitorizar o que se passa nesta cadeia produtiva», salientando que o problema se coloca a nível português, mundial e europeu, tendo já sido abordado no Conselho Europeu de ministros da agricultura. «Não queremos que quem produz seja aquele que tem mais dificuldade em obter o retorno do seu investimento a um preço justo», assinalou António Serrano. Garantiu que as várias entidades do sector já se mostraram disponíveis para um plano de promoção dos produtos nacionais, dado que «o assunto interessa a todos».

Internacionalização passa por exportar qualidade
O ministro da Agricultura, António Serrano, defendeu também que o processo de internacionalização da agricultura portuguesa passa por exportar, de forma organizada, produtos de qualidade para mercados com capacidade para pagar um «preço prémio»

«Portugal, um país pequeno, não tem condições para exportar em grande escala pelo que tem de apostar em produtos de qualidade e em países com segmentos de mercado que aceitem qualidade e estejam disponíveis para pagar um preço mais alto», afirmou.

Para o ministro, o exemplo do vinho, onde foi feita uma marca conjunta, associada ao país e dirigida ao consumidor internacional, deve ser aplicado a outras fileiras de produtos. «Há que arranjar sempre uma organização conjunta para actuar no mercado internacional, evitando que cada produtor vá sozinho a feiras de qualidade», acentuou.

António Serrano disse que os vinhos se devem dirigir, preferencialmente, a mercados com um poder aquisitivo muito forte, como os do norte da Europa e da América, sempre numa óptica de segmentos de qualidade. Adiantou que para além do vinho, o Ministério e os agricultores trabalham noutros produtos de exportação, como os do azeite e do arroz.

«Temos de associar os nossos produtos à nossa gastronomia como fazem os espanhóis e os italianos», defendeu António Serrano. «Temos, ainda, o chamado ‘mercado da saudade’, dos portugueses espalhados pelo mundo inteiro e que estão disponíveis para adquirir o que é nosso, desde que os produtos cheguem lá de forma organizada e que a cadeia de abastecimento não seja interrompida, faltando o produto no mês seguinte», acentuou.

O ministro considera ainda que Portugal pode exportar para o norte de África frutas, hortícolas, e vinho, sem esquecer os países de língua oficial portuguesa, como já sucede em Angola com o vinho, mas também com Moçambique, Cabo Verde e com o Brasil «com quem também há já algumas trocas».

O Parque de Exposições de Braga (PEB) e a Associação Empresarial de Portugal (AEP) formalizaram entretanto, através da assinatura conjunta de um protocolo institucional, uma parceria de internacionalização para a organização de feiras de negócios em Portugal e no estrangeiro. Na ocasião, o vice-presidente da AEP Paulo Nunes de Almeida adiantou que as duas entidades vão realizar, ainda em 2010, uma Agro-Feira Agrícola e Pecuária em Angola.

Fonte: Anil

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …