Inglaterra nega negligência da exploração infectada com H5N1

As autoridades britânicas recusaram ontem que tenha havido negligência por parte da Bernard Matthews, a empresa que tem a exploração onde foi detectada a gripe das aves, na denúncia do problema.

Alguns títulos da imprensa britânica avançaram que a empresa proprietária do complexo aviário onde foi detectado o vírus H5N1 e onde trabalham cerca de 1.000 portugueses, ter-se-á atrasado muito em denunciar do caso.

De acordo com informações oficiais, os primeiros perus mortos foram detectados pelos técnicos da empresa na terça-feira, mas só na quinta-feira, 48 horas depois, é que se fez a primeira denúncia aos veterinários oficiais do governo .

As autoridades locais, que são responsáveis pelo controlo sanitário destas criações, desmentiram esta suspeita, dizendo que a empresa “cumpre e excede” as normas de segurança em vigor, além de que a morte de aves nestes aviários é “bastante normal”.

Na mesma linha, o director do departamento veterinário do governo britânico, Fred Landeg, disse que os seus serviços foram contactados assim que os animais “começaram a morrer em número significativo” e que “a investigação ao caso começou imediatamente”.

De acordo com o mesmo Departamento, na terça-feira morreram 35 aves e na quarta-feira 180. Só na quinta-feira é que o número subiu para mais 800 e no sábado, quando a notícia foi conhecida, já eram 1.600 os animais mortos.

Mesmo não considerando a situação como um sinal de negligência por parte da empresa, estes números estão a ser usados pelas autoridades para explicar a os outros criadores da região a rapidez com que o vírus se pode espalhar entre os animais.

O trabalho das autoridades está também centrado em perceber como é que o vírus chegou à exploração, provavelmente através de um animal selvagem, já que todos os aviários são edifícios bem fechados.

A Bernard Matthews, proprietária da exploração, ainda não fez qualquer declaração pública sobre o assunto, mas num curto comunicado enviado à comunicação social um porta-voz da empresa garantiu que não há qualquer risco de o vírus ter entrado nos produtos comercializados pela marca.

O abate das 160.000 aves desta exploração no Leste de Inglaterra continua, entretanto, a ser efectuado e só deve terminar segunda-feira, confirmaram ontem as autoridades. Apesar de o governo ter garantido que os veterinários estão a trabalhar “dia e noite” nesta tarefa, a quantidade dos animais em causa e os cuidados sanitários inerentes à operação tornam impossível terminar a tarefa num prazo mais curto.

Todas as aves do complexo são perus e estão a ser mortos numa câmara de gás, ou seja, através do processo com que normalmente são abatidos.

Os veterinários especialistas no vírus estão também a trabalhar junto de todas as explorações nas redondezas de Holton, onde está instalado o complexo aviário, para fazer exames de despistagem aos animais da zona.

O Departamento para o Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, que está a comandar as operações, criou também três zonas de segurança, conforme os níveis de risco, que estão a ser explicados aos moradores e agricultores da zona pelas autoridades.

No total, estão sob vigilância mais de dois mil quilómetros quadrados, sendo que em toda esta área os criadores de animais são aconselhados – ou obrigados, confirme a proximidade – a guardar os animais dentro de complexos fechados e limpos.

Este é o primeiro caso a ser detectado numa exploração comercial britânica, apesar de o ano passado ter sido encontrado um ganso selvagem morto, com o mesmo vírus, na costa da Escócia.

Uma porta-voz do Departamento de Saúde britânico, que também está a investigar o caso, já disse que os riscos de contaminação humana associados a este caso são “muito, muito baixos”.

Fonte: Lusa

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