Infecção de H5N1 em humanos pode afectar 4M de portugueses

Uma pandemia da infecção pela gripe das aves em humanos pode infectar quatro milhões de portugueses e manter em casa 40% dos trabalhadores, indica um estudo apresentado hoje.
Realizado pelo Observatório Nacional de Saúde (Onsa), do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA-RJ), o estudo procura traçar um cenário do impacto de uma eventual pandemia pelo vírus da gripe das aves em humanos, sem considerar o efeito da acção de uma vacina contra a doença ou do tratamento com antivirais.

O trabalho, apresentado hoje no encontro Ensaio de Protocolos de Actuação – Resposta à Gripe Pandémica em Portugal, promovido pela Escola Nacional de Saúde Pública e pela Direcção-Geral da Saúde, em Lisboa, procurou avaliar o efeito de uma epidemia em que o vírus afecte 40 pessoas em cada 100 com as quais contacta.

As autoridades de saúde nacionais e internacionais receiam a possibilidade de o vírus que actualmente provoca infecção gripal em aves – o H5N1 -, poder vir a mutar e começar a infectar humanos, produzindo uma pandemia de gripe.

Desde 2003, indicou hoje o Director-Geral da Saúde, Francisco George, registaram-se em todo o mundo 256 casos de infecção em humanos com este vírus.

Considerando que a futura pandemia se pode processar em duas ondas, Baltazar Nunes, do Onsa, estimou que numa primeira fase, mais branda, cerca de um milhão de portugueses possa vir a ser infectado pelo vírus, um valor que aumenta para três milhões, numa segunda onda pandémica.

O investigador do Insa adiantou que, durante a primeira onda, o serviço de saúde será solicitado em 1,9 milhões de consultas, e que na segunda fase esta procura vai subir para mais de três milhões.

O Onsa vai iniciar em breve um estudo sobre o grau de procura que os hospitais e centros de saúde podem esperar por parte da população que reside na sua área de influência, em caso de pandemia, revelou Baltazar Nunes, adiantando que este trabalho deverá estar concluído no princípio do próximo ano.

No encontro de hoje esteve também em debate o grau de absentismo laboral que a pandemia pode provocar, tendo sido apresentado o exemplo de uma empresa com cerca de 400 trabalhadores, dos quais 81% são mulheres.

Segundo Baltazar Nunes, durante um período de oito semanas em que a epidemia se faça sentir, «é possível prever uma taxa de absentismo de 38 a 40 por cento».

Fonte: Diário Digital

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