INE: Produção de Cereais Praganosos em queda e pomares mais produtivos

As previsões agrícolas, em 31 de Julho confirmam a quebra generalizada da produção dos cereais de Outono/Inverno, que no trigo mole atinge os 40%. Em contrapartida, os pomares apresentam-se mais produtivos, perspectivando-se aumentos dos rendimentos unitários de 5% para os frutos frescos e de 10% para os amendoais.

O mês de Julho caracterizou-se por alguma instabilidade atmosférica, registando-se grandes amplitudes térmicas com noites bastante frias para a época. Nas regiões do Sul, o céu esteve em geral limpo, enquanto nas regiões do Norte e Centro, o céu apresentou-se muitas vezes encoberto.

De registar a partir do dia 20, um aumento da precipitação que apresentou valores pontualmente fortes nos dias 22 e 31.

Estas condições meteorológicas permitiram que todos os trabalhos agrícolas em curso, nomeadamente as ceifas, enfardamento dos fenos e a colheita de alguma fruta, se tenham efectuado com normalidade.

Superfície de milho de regadio decresce 5%

O estádio de desenvolvimento do milho de regadio é muito diverso, resultante quer dos diferentes períodos em que a sementeira foi realizada, quer da variação das condições meteorológicas, quer da duração dos ciclos vegetativos. As actuais previsões apontam para um decréscimo da área cultivada na ordem dos 5%, para a qual contribui o aumento médio dos custos de produção e o decréscimo da cotação do grão comercializado em Portugal.

Produtividade da batata de regadio aumenta

A batata em regime de regadio encontra-se já perto do final do seu ciclo cultural, prevendo-se um acréscimo de produtividade da ordem dos 5%, relativamente ao ano anterior.

Cereais de Primavera/Verão: Rendimentos unitários pouco variam

As produtividades dos cereais de Primavera/Verão, não apresentam grandes variações face ao ano transacto. Desta forma, o rendimento unitário do milho de sequeiro deverá situar-se nos 1 160 quilogramas por hectare (-5% em termos homólogos), enquanto que para o arroz não se prevêem alterações.

Campanhas do tomate para indústria e do girassol decorrem sem grandes problemas

Apesar das condições meteorológicas não terem sido as ideais para o desenvolvimento vegetativo das culturas arvenses, apenas se prevê um ligeiro decréscimo na produtividade do girassol (-5%). As searas de tomate para a indústria apresentam, de um modo geral, um desenvolvimento vegetativo normal, pelo que não se prevêem alterações no rendimento unitário, relativamente à campanha anterior.

Pomares mais produtivos

A produtividade dos pomares de pereiras e macieiras beneficiou na actual campanha de condições climatéricas favoráveis, nomeadamente pelo frio prolongado no Inverno, o que proporcionou uma boa floração e vingamentos muito interessantes. Por outro lado, as precipitações ocorridas no mês de Junho contribuíram decisivamente para o aumento do calibre dos frutos. Desta forma prevêem-se aumentos de 5% nos rendimentos unitários destas culturas.

Os pomares de pessegueiros e os amendoais seguem a mesma tendência, prevendo-se acréscimos nos rendimentos unitários de 5% e 10%, respectivamente.

Produtividades da vinha

Nas uvas para vinho as actuais previsões apontam para produtividades superiores em 5% às do ano anterior, embora com tendências distintas em termos regionais. A alternância de dias quentes com dias frescos e a precipitação espaçada que tem ocorrido, são factores que irão favorecer a qualidade das massas vínicas. Em contrapartida, o rendimento da uva de mesa deverá decrescer pelo terceiro ano consecutivo.

Produção de cereais de Outono/Inverno em queda

A colheita dos cereais praganosos está praticamente concluída. Confirmam-se as quebras de produção em todas as espécies, sendo mais significativa no trigo mole. Esta tendência deve-se, não apenas à menor área semeada, mas também à menor produtividade obtida, tanto em grão, como em palha. Para este decréscimo foram determinantes as condições climatéricas adversas, ocorridas ao longo do ciclo vegetativo destas culturas, caracterizadas por chuvas abundantes na época de sementeira e por uma Primavera muito instável sem registo de precipitação em períodos cruciais do seu ciclo vegetativo. A actual campanha cerealífera pode desta forma caracterizar-se pela retracção das áreas semeadas, germinações irregulares, diminuição da palha, mau desenvolvimento da espiga e deficiente enchimento do grão, o que levou muitos produtores a fenarem e/ou pastorearem as searas.

Face aos condicionalismos apontados, as produções dos cereais praganosos deverão decrescer, face à campanha anterior, 40% para o trigo mole, 35% para o trigo duro, triticale e aveia, 25% para a cevada e 10% para o centeio.

Colheita da batata de sequeiro ultrapassa as 100 mil toneladas

A produção de batata em regime de sequeiro aumentou 5%, relativamente ao ano anterior, revelando boa qualidade. De facto, o ciclo da batata decorreu favoravelmente devido às escassas, mas oportunas, chuvas e ainda à baixa incidência de ataques de míldio. A difícil conservação em armazém fez baixar o preço dos tubérculos no mercado nacional, o que se traduz numa perda de rendimento para os agricultores.

Fonte: Agroportal

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