INE: Boas perspectivas para o milho e quebra acentuada de produtividade nos pomares de cereja

As previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em 31 de Maio, apontam para o decréscimo das produtividades dos cereais praganosos. As sementeiras de Primavera decorreram em boas condições, registando-se um aumento das áreas de milho e das culturas industriais. Nos pomares, assinala-se a considerável quebra da produtividade das cerejeiras.

O mês de Maio caracterizou-se pela continuação de grande instabilidade meteorológica, alternando dias de céu limpo com outros de muita nebulosidade com ocorrência de precipitação, muitas vezes, sob a forma de granizo e acompanhada de trovoada.

O vento soprou em geral forte e as temperaturas, apesar de se situarem ligeiramente acima dos valores médios, registaram grandes amplitudes, com acentuado arrefecimento nocturno.

Este quadro meteorológico, de um modo geral, não foi prejudicial para o desenvolvimento das culturas instaladas e permitiu a normal realização dos trabalhos de Primavera, designadamente as sementeiras e as colheitas das forragens. No entanto, a queda de granizo e as geadas provocaram, à semelhança do mês anterior, prejuízos pontuais nos pomares, vinhas e hortícolas. Também as temperaturas amenas e o tempo encoberto e húmido proporcionaram as condições para o aparecimento de doenças criptogâmicas, principalmente na vinha e batata.

Superfície de milho: condições meteorológicas favoráveis e boas perspectivas de mercado invertem a tendência de decréscimo dos últimos anos
As sementeiras de Primavera decorreram em boas condições, apresentando os povoamentos germinações uniformes e grande homogeneidade. A superfície de milho é superior à do ano anterior. Este aumento, cerca de 15% no milho de regadio, justifica-se pelas condições meteorológicas favoráveis e pelo aumento da cotação no mercado mundial. Para o arroz não se perspectivam alterações de área face ao ano anterior.

Manutenção da superfície de batata de regadio
As plantações da batata em regime de regadio decorreram com normalidade, não se perspectivando alterações de área, face ao ano anterior.

Aumento da superfície de tomate e girassol
A indústria de transformação de tomate é uma das mais competitivas de Portugal. De facto, o tomate para indústria é a principal produção horto-industrial, com 10 unidades industriais de transformação, cerca de 600 produtores agrupados em 30 organizações e ocupando uma superfície de 13 mil hectares de regadio. A qualidade da produção nacional, fruto das excelentes condições edafo-climáticas, aliada à total mecanização do processo e ao incremento da dimensão das explorações daí decorrente, contribuíram para o desenvolvimento do sector. No entanto, devido à proposta de Bruxelas de desligamento total das ajudas, efectuada no âmbito da reforma da Organização Comum dos Mercados dos produtos hortícolas e frutícolas, a indústria de transformação de tomate encontra-se perante um novo desafio. Este facto parece não afectar a confiança dos produtores, uma vez que as actuais previsões apontam para um aumento de 5% na superfície de tomate, face a 2006.

Para o girassol, em consequência da entrada em funcionamento de unidades de produção de biodiesel, o aumento de área será na ordem dos 15%, face ao ano anterior.

Produtividades dos cereais de Outono-Inverno inferiores às da campanha passada
O prolongado encharcamento a que os solos estiveram sujeitos e as elevadas temperaturas ocorridas no início da Primavera condicionaram os rendimentos unitários das culturas cerealíferas, prevendo-se assim quebras que variam entre os 10% para o trigo mole, trigo duro, triticale e cevada e os 15% para a aveia. De salientar ainda que as chuvas de Maio contribuíram para o ressurgimento de algumas infestantes e que a queda de granizo e o vento forte provocaram, em alguns locais, acama das searas.

Manutenção da produtividade da batata
A batata de sequeiro, apesar de alguns ataques de míldio, apresenta um bom desenvolvimento vegetativo, prevendo-se a manutenção da produtividade, face ao ano anterior. De referir que nas colheitas já efectuadas, os tubérculos apresentam bons calibres.

Mau ano de cereja
Os pomares de pomóideas apresentaram um bom vingamento dos frutos o que poderá indiciar uma boa produção, caso não ocorram grandes problemas fitossanitários. Em contrapartida, para as prunóideas as baixas temperaturas durante a fase de polinização, registadas em algumas regiões, condicionaram o vingamento dos frutos. Para a cereja acresce ainda o facto das chuvas de Maio terem originado podridões e fendilhamento dos frutos, principalmente nas variáveis precoces, prevendo-se assim um decréscimo de 40%, face à produção de 2006.

Relativamente aos pessegueiros o vingamento dos frutos foi menos afectado, pelo que não se perspectivam grandes alterações face ao ano anterior.

Climatologia em Maio de 2007
Segundo o Instituto de Meteorologia, o conteúdo de água no solo, no final do mês de Maio, apresentava valores inferiores ou próximos dos normais para a época em todo o território, excepto no Nordeste de Trás-os-Montes onde foram superiores.

A percentagem de água armazenada nas principais albufeiras a norte do rio Tejo era de 79%, sendo de 77% em igual data do ano passado.

Fonte: Agroportal

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