INE: Boas perspectivas para a Campanha de Cereais de Outono-Inverno. Chuvas afectam a qualidade da c

As previsões agrícolas, em 31 de Maio, apontam para níveis de produtividade nos cereais de Outono – Inverno acima da média dos últimos cinco anos. As áreas de arroz, milho e girassol deverão aumentar, embora as sementeiras se encontrem atrasadas, devido às chuvas dos últimos meses. Nos pomares, assinala-se a menor qualidade das cerejas, que apresentam fraca capacidade de conservação e uma elevada percentagem de frutos fendilhados.

O mês de Maio caracterizou-se pela continuação de instabilidade meteorológica, com dias de céu nublado e intensa precipitação, por vezes sob a forma de granizo ou acompanhada de trovoada. O vento soprou em geral forte e as temperaturas situaram-se abaixo dos valores médios, registando grandes amplitudes devido às noites frias.

Este quadro meteorológico teve alguns reflexos negativos nas culturas hortícolas, nos pomares e nas vinhas, condicionou os trabalhos de corte, secagem e enfardamento das forragens e provocou atrasos nas sementeiras das culturas de Primavera. Em contrapartida, beneficiou o desenvolvimento das culturas arvenses.

As temperaturas amenas e a elevada humidade proporcionaram condições favoráveis ao aparecimento de problemas fitossanitários, principalmente de míldio e oídio na vinha e na batata, enquanto que nas fruteiras surgiram o pedrado nas pomóideas e a lepra nas prunóideas, que obrigaram ao aumento da frequência dos tratamentos curativos. Os prados, pastagens e culturas forrageiras apresentam boas produções, pelo que não existem, nem são de esperar, dificuldades na alimentação animal.

Chuvas atrasam sementeiras de Primavera mas não impedem aumentos das áreas de milho e arroz

As chuvas têm condicionado as sementeiras de Primavera, levando mesmo à sua interrupção nalguns terrenos mais baixos e pesados, razão pela qual os trabalhos se encontram atrasados. Em todo o caso, as superfícies de milho e arroz deverão, em virtude das disponibilidades hídricas e das atractivas cotações de mercado, aumentar cerca de 5%.

Área de batata decresce

A instabilidade meteorológica também condicionou a plantação da batata de regadio, o que aliado às dificuldades de escoamento e às baixas cotações da campanha passada, bem como ao aumento dos custos dos factores de produção, determinaram o decréscimo da superfície plantada.

Superfície de girassol continua a aumentar enquanto que o tomate para a indústria regista um ligeiro decréscimo

A superfície de tomate para a indústria deverá manter-se próxima dos 14 mil hectares, o que representa um ligeiro decréscimo (-5%); em contrapartida para o girassol prevê-se, em virtude da contratualização de áreas pela indústria de biodiesel, um aumento significativo das áreas (+35%).

Cereais de pragana evidenciam produtividades acima da média dos últimos cinco anos

Os cereais de Outono-Inverno foram das culturas que mais beneficiaram das condições meteorológicas, exibindo bom aspecto vegetativo, apesar de algumas searas apresentarem bastantes infestantes, prevendo-se assim aumentos de produtividade de 25% para o triticale e para a aveia, de 20% para o trigo mole e de 15% para o trigo duro e cevada, enquanto que para o centeio não se prevêem aumentos de produtividade, face a 2007. De referir que os rendimentos unitários previstos reflectem aumentos generalizados e expressivos, relativamente à média dos últimos cinco anos.

Ligeira quebra na produtividade da batata de sequeiro

As colheitas da batata de sequeiro já efectuadas apontam para produtividades razoáveis, apresentando os tubérculos bons calibres. Existem, no entanto, plantações afectadas pelas geadas e outras que sofreram fortes ataques de míldio. Desta forma, a produtividade da batata de sequeiro deverá registar um ligeiro decréscimo (-5%) face a 2007.

Produtividade da cereja abaixo da média do quinquénio, pelo segundo ano consecutivo

As fruteiras, de um modo geral, têm-se ressentido com a falta de calor e com o reduzido número de horas de sol, essencial para o adequado amadurecimento dos frutos. No caso da cereja, por se encontrar numa fase mais adiantada de maturação, as condições meteorológicas foram ainda mais desfavoráveis, apresentando os frutos, em virtude da elevada humidade, fracas características de comercialização, nomeadamente frutos tumescidos, com excesso de água e com baixo poder de conservação, e muito fendilhados, originando quebras no preço, que nalguns pomares, levaram mesmo a que não se efectuasse a colheita. Desta forma, e após um mau ano, perspectivam-se mais dificuldades para os produtores de cereja. Em contrapartida, os pomares de pessegueiros apresentam condições potenciais favoráveis ao aumento da produtividade, face a 2007.

Fonte: Agroportal

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