INE: Ano agrícola termina com aumentos das produções de vinho e de arroz e quebras nas produções

As previsões agrícolas do INE, em 31 de Outubro, apontam para aumentos nos cereais de Primavera-Verão, destacando-se o arroz, que deverá alcançar a maior produção da última década. A vindima decorreu dentro da normalidade, prevendo-se um aumento de produção de 10% face à vindima anterior. Os mostos apresentam boa qualidade, não se perspectivando dificuldades de escoamento. Em contrapartida, são previsíveis quebras de produção nos olivais, frutos frescos e amêndoa. Acompanham também estas quebras as culturas industriais, com particular evidência para o girassol (-50% de produção).

O mês de Outubro caracterizou-se, em termos meteorológicos, na primeira e terceira décadas por céu nublado e ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, pontualmente fortes, mais frequentes nas regiões do Norte e Centro. Na segunda década o céu esteve em geral pouco nublado ou limpo.

Estas condições climatéricas permitiram que a colheita das culturas de Primavera-Verão, a conclusão das vindimas e a apanha das variedades frutícolas mais tardias tivessem decorrido sem constrangimentos assinaláveis.

A realização dos trabalhos de preparação das sementeiras da próxima campanha apresenta um atraso muito considerável, particularmente nas regiões a sul do Tejo, uma vez que a precipitação ocorrida não foi suficiente para garantir os níveis de humidade do solo adequados.

Os prados e pastagens apresentam o aspecto vegetativo normal para a época. Tendo-se iniciado o ciclo vegetativo com o surgimento das primeiras chuvas Outonais, o seu desenvolvimento não é ainda suficiente para suprir as necessidades alimentares das diferentes espécies pecuárias, pelo que há necessidade de recorrer ao contributo dos fenos, palhas, silagens e alimentos concentrados, ainda que em quantidades bastante inferiores aos registados em igual período do ano passado.

Olivais para azeite recuperam em Outubro

As temperaturas muito elevadas observadas ao longo de todo o Verão tiveram reflexos negativos no desenvolvimento vegetativo dos olivais. Contudo, as condições climatéricas do mês de Outubro (temperaturas mais baixas e queda de alguma chuva) vieram atenuar as expectativas mais pessimistas e nalgumas regiões reverteram mesmo o fraco desenvolvimento vegetativo dos olivais. Desta forma observa-se que no interior Norte e Centro a precipitação ocorrida este mês garantiu o vingamento dos frutos e contribuiu para um claro aumento do seu tamanho, com perspectivas de uma boa produção, enquanto que no Alentejo se prevê uma ligeira quebra de produtividade, mais acentuada nos olivais da variedade Galega. Assim, globalmente, o cenário aponta para uma ligeira quebra do rendimento na azeitona para azeite (-5%). Quanto à azeitona de mesa espera-se um aumento da produtividade na ordem dos 5%.

A mais elevada produção de arroz da última década

Prevê-se um aumento da produção de arroz, em cerca de 5%, decorrente do aumento da área semeada (transferência de áreas habitualmente ocupadas com milho de regadio, devido ao seu baixo preço de mercado) e da manutenção da produtividade alcançada na campanha anterior. A produção deverá situar-se nas 165 mil toneladas, o registo mais elevado da última década.

No que diz respeito ao milho, a colheita está praticamente concluída. A disponibilidade dos recursos hídricos (que possibilitou a realização regular das regas), permitiu contrariar os efeitos adversos das ondas de calor, proporcionando as condições para um bom desenvolvimento vegetativo, que compensou, em termos de produção, a quebra observada na área semeada. Assim, perspectiva-se a manutenção da produção da campanha anterior.

Macieiras e pereiras menos produtivas

As condições climatéricas desfavoráveis verificadas ao longo do ano, em particular a precipitação intensa ocorrida quer por altura da floração/vingamento dos frutos quer durante o mês de Setembro, esta última sob a forma de granizo e mais localizada na região Norte, afectaram as produções de maçã e de pêra, que deverão cair 20% e 25%, respectivamente, face à anterior campanha. Em termos de qualidade, é de referir que tanto as pêras como as maçãs apresentam calibres muito elevados e frutos de boa qualidade, apesar do aumento da percentagem de maçã de refugo, em especial nas zonas atingidas pelos temporais de granizo.

Menos 5 mil toneladas de pêssego

Prevê-se que a produção de pêssego registe uma redução de 10% (-5 mil toneladas), face a 2009.. Esta cultura foi decisivamente afectada durante a floração e vingamento dos frutos pelas condições climatéricas adversas, nomeadamente pelas geadas tardias, e também por problemas fitossanitários, sobretudo relacionados com ataques de lepra.

Produção de Kiwi cai 20%

Apesar dos benefícios que resultaram da precipitação ocorrida ao longo deste mês, principalmente em termos de calibre e peso do fruto, prevê-se que a cultura do kiwi registe uma quebra de produção na ordem dos 20%. Esta redução tem sobretudo a ver com a natural alternância de produtividades, estando os pomares a ressentirem-se da elevada produção obtida no ano passado. A diminuição das temperaturas nocturnas tem sido importante para elevar o teor de açúcares, pelo que se espera uma colheita de boa qualidade.

Produção de amêndoa abaixo das 10 mil toneladas

Também a cultura da amêndoa foi afectada de forma severa pelas condições meteorológicas bastante desfavoráveis ao longo do ciclo, em particular por altura da floração e vingamento dos frutos, que conduziram a uma quebra na produção que poderá rondar os 25%, ficando aquém das 10 mil toneladas.

Chuvas ajudam produção de castanha

A precipitação ocorrida durante os meses de Setembro e Outubro permitiu um aumento da humidade do solo, proporcionando uma clara melhoria do estado vegetativo dos castanheiros. Assim, não se confirmaram os receios de que a produção tivesse sido significativamente afectada pelos baixos teores de humidade do solo e elevadas temperaturas durante o período estival, prevendo-se que a produção se mantenha ao nível da anterior campanha. De referir que os frutos são de calibre inferior, surgindo uma percentagem não desprezável de castanha bichada. Relativamente à avelã, não se prevêem alterações na produção face a 2009.

Produção vinícola na média do último quinquénio

A actual campanha vinícola deverá rondar os 6,2 milhões de hectolitros, valor muito próximo da média dos últimos 5 anos, e que corresponde a um aumento na ordem dos 10% face à vindima anterior. As uvas encontravam-se em muito bom estado sanitário, o que se reflectiu positivamente na qualidade dos mostos obtidos. Na maioria das regiões as perspectivas de comercialização são boas.

Climatologia em Outubro de 2010

Segundo o Instituto de Meteorologia, a precipitação ocorrida durante o mês de Outubro foi suficiente para reverter a situação de seca que se observava em quase todo o país, sendo que neste momento apenas o litoral Norte e Centro e o Sotavento Algarvio apresentam uma situação de seca fraca.

Fonte: Agroportal

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