Indústria: Transformação de tomate pode acabar se apoio for desligado de produção

A indústria transformadora de tomate portuguesa pode desaparecer se a regra de desligar os apoios comunitários da produção, já em vigor em muitas culturas, for aplicada nesta área agrícola, defendeu hoje um responsável do sector.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Associação dos Industriais de Tomate (AIT), Miguel Cambezes, explicou que, se o desligamento passar a abranger também o tomate, “a produção reduz-se a metade da actual e as empresas portuguesas de transformação terão carências de abastecimento”.

Assim, “as fábricas passarão a trabalhar abaixo do nível de rentabilidade económica e esta situação vai determinar o seu fecho”, frisou Miguel Cambezes.

“O desligamento acaba por comprometer directamente e determinantemente o sector do tomate em Portugal”, reforça, fazendo questão de dizer que a AIT “não admite uma reforma que põe em causa um sector que é competitivo”.

Em Janeiro de 2005, alguns países da União Europeia, incluindo Portugal, começaram a aplicar as novas regras da Política Agrícola Comum (PAC) que implicam o desligamento das ajudas da produção, ou seja, os agricultores recebem apoios independentemente de apresentarem produtos, no final da campanha.

A atribuição de ajudas está relacionada com o histórico que cada exploração apresenta e com a sua dimensão.

No caso do tomate, que segue regras da Organização Comum do Mercado (OCM) que lhe respeita, mantém-se a situação anterior.

Mas, como explicou o responsável da AIT, a Comissão Europeia vai fazer um estudo dos sectores já desligados e apresentar uma proposta de revisão da OCM do tomate no Outono deste ano, para ser discutida durante 2007 e entrar em vigor em 2008.

E para o responsável da associação, “no final de 2006 ainda não é possível avaliar o impacto”.

“Se o que está em causa é o agricultor escolher entre receber apoios e produzir ou receber ajudas sem produzir, acredito que 90 por cento das explorações deixa de cultivar”, avança.

Por isso, para Miguel Cambezes, “a questão é saber se há interesse [da parte das autoridades nacionais e comunitárias] em manter um sector, o da produção de tomate, que é dos melhores do mundo, ou perder o conhecimento adquirido” e o valor da actividade económica em Portugal.

Para uma indústria que trabalha com um produto perecível, como o tomate, não se coloca a questão de tentar comprar matéria-prima em outros mercados.

“Os industriais de transformação de tomate não têm outra solução” pois só podem ir, em termos de distância, até à Estremadura espanhola para comprar matéria-prima, refere o secretário-geral da AIT.

De qualquer modo, se as regras se alterarem, Espanha terá um problema semelhante a Portugal, no que respeita à produção de tomate.

Miguel Cambezes recorda ainda que o desligamento não pode vigorar para sempre e que não se sabe o que irá acontecer depois de 2013.

“O desligamento, ou receber apoios sem produzir, não é socialmente aceite e não é sustentável para sempre”, salienta.

Por outro lado, o responsável da associação representativa dos industriais defende que o regime actual da OCM do tomate “funciona, pode ser melhorado, mas confere racionalidade à produção e melhorou as relações com a indústria, por isso deve manter-se”.

“Não se deve introduzir um factor de perturbação que pode ser irremediável” para a sobrevivência da indústria de transformação do tomate, salienta.

Fonte: Agroportal

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