A indústria aumentou o preço do leite pago ao produtor em 2,5 cêntimos por litro, devido à entrada na campanha de inverno, que se prolonga até Março de 2010, mantendo assim a sazonalidade do preço. A Associação Agrícola mostra-se satisfeita com esta política de preços da indústria.
A Bel, Prolacto e Insulac garantiram o aumento do preço do leite, aplicado durante a campanha de inverno, enquanto a Unileite – União das Cooperativas Agrícolas de Lacticínios e de Produtores de Leite da Ilha de São Miguel – , apenas divulgou a medida aplicada no início desta campanha, numa reunião realizada a meio da semana passada na sede da empresa.
Gil Jorge, presidente da Unileite, recusou avançar as medidas da empresa na abertura da campanha de inverno, mas actualmente a Unileite já paga mais 2,5 cêntimos por litro de leite ao produtor e pretende continuar a liderar o preço pago à produção nesta ilha.
Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, mostrou-se satisfeito com a manutenção do acordo da sazonalidade, que permite aos produtores de leite aumentarem as suas receitas durante a campanha de inverno. “Não fazia sentido ser ao contrário, porque o argumento que serviu à Indústria para baixar o pagamento em Março é o mesmo que é utilizado para subirem o preço pago à produção, devido à sazonalidade”, refere o representante da maior associação de produtores de leite dos Açores.
A subida do preço do leite acontece num momento de grandes dificuldades no sector da produção leiteira, devido à redução do preço do leite pago pelas indústrias, existindo diversos alertas de associações de produtores para a iminência de falências de alguns produtores.
Inclusivamente, o Governo Regional já garantiu a realização de um resgate leiteiro em 2009 para permitir a saída, com dignidade, dos produtores com maiores dificuldades financeiras. O secretário regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, indica que o resgate leiteiro “está em preparação e será lançado até ao final do ano”, sublinhou.
Menos 40 por cento de produtores
O número de produtores de leite nos Açores diminui 40 por cento durante os últimos dez anos nos Açores, segundo os dados divulgados pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas. Apesar da diminuição do número de produtores registou-te um aumento de 37 por cento no volume de leite produzido nos Açores, que chega actualmente às 550 mil toneladas por ano.
A diminuição de produtores de leite contraria a tendência para o aumento de produtores de animais para venda de carne. Noé Rodrigues explica que a diminuição de produtores deve-se “a uma política do próprio governo regional e organizações de produtores, de forma concertada, no sentido de reduzir o número de produtores e leite e continuar a aumentar a produção de leite”. A medida está inserida no plano de reestruturação do sector do leite, que pretende melhorar a média de produção de leite em cada produção. “Os produtores que continuam estão redimensionados e verifica-se uma subida na média de distribuição de quota nas explorações. Nós, passámos de uma média de 70 a 80 mil litros para uma média de 120 mil litros”.
Jorge Rita considera a diminuição de produtores “um processo normal”, referindo que a média de abandono nos Açores é inferior à verificada em Portugal Continental. “A saída de produtores permitiu aos que ficaram ganharem maior dimensão, devido ao emparcelamento das terrenas e melhoramento da genética”, conta. O presidente da Associação Agrícola alerta apenas para a necessidade de garantir “uma saída digna aos agricultores, através do resgate leiteiro”.
Boel contra fundo do PE para a reforma do sector leiteiro
A comissária europeia responsável pela pasta da Agricultura deixou ontem claro, em sede da comissão parlamentar da Agricultura do Parlamento Europeu (PE), que um fundo para suportar a reestruturação do sector leiteiro, proposto pelo hemiciclo de Estrasburgo, “não é o melhor caminho”. Mariann Fischer Boel concorda com a necessidade de reestruturação do sector em algumas zonas da UE, mas não considera esta proposta em concreto a solução. Boel deixou claro que “o futuro do sistema de quotas leiteiras é simples: será abolido em 2015”. E lembra que os diferentes Estados-membros “confirmaram que este é o caminho certo a seguir”.
Na sua leitura, a manutenção das quotas “não nos dará um responsável e bem estruturado sector leiteiro”.“ Atrasará a eficiência, fará disparar os custos e dificultará a entrada de jovens agricultores no sector. Não é esta a melhor receita a longo prazo” – especifica a comissária do Executivo da UE.
Unileite aumentou o preço do leite pago à produção
A Unileite fixou o preço base do litro do leite em 24 cêntimos, o que agradou aos lavradores da ilha de São Miguel. A decisão foi comunicada aos lavradores em Assembleia-Geral e, os cerca de 300 lavradores presentes, aceitaram de bom grado os valores decididos pela direcção. Gil Oliveira afirmou que a Unileite não aplica o princípio da sazonalidade no preço do leite, até porque também não baixou o preço na campanha de Verão, em contra-corrente com a restante indústria açoriana.
Agora, com o preço base a 24 cêntimos por litro, a Unileite pretende também afirmar-se perante a restante indústria. Na Unileite são entregues, anualmente, 140 milhões de litros de leite, mas, a metade desse leite não é transformado, mas, sim, vendido à Prolacto, que paga 20 cêntimos e meio, por litro, menos do que a Unileite paga aos seus produtores.
Fonte: Anil
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