Indústria: Sector do tomate diz ser inaceitável desligar apoios de produção

A Associação dos Industriais de Tomate (AIT) considera inaceitável a proposta da Comissão Europeia para a reforma da Organização Comum de Mercado do sector horto-frutícola por ser uma ameaça à sobrevivência da indústria de transformação daquele produto.

Em comunicado hoje divulgado, a AIT reafirma a sua opinião contra o desligamento total dos apoios à produção proposto pela Comissão e espera que no período de negociação política o governo português “faça vingar a sua posição”, afastando assim “os prejuízos que a proposta iria trazer a este sector agro-industrial.

Numa entrevista à agência Lusa, em Fevereiro, o secretário-geral da AIT já chamava a atenção para o que considerava o perigo da indústria transformadora de tomate portuguesa vir a desaparecer se a regra de desligar os apoios da produção, já em vigor para outras culturas, fosse alargada ao tomate.

Miguel Cambezes explicou, na altura, que, se o desligamento passasse a abranger também o tomate, a produção reduzir-se-ia a metade da actual e as empresas portuguesas de transformação teriam carências de abastecimento.

Assim, as fábricas passariam a trabalhar abaixo do nível de rentabilidade económica e esta situação viria determinar o seu fecho, frisava o secretário-geral.

O desligamento acabaria por “comprometer directamente e determinantemente o sector do tomate em Portugal”, reforçava, fazendo questão de dizer que a AIT não admitia “uma reforma que põe em causa um sector que é competitivo”.

No comunicado hoje divulgado, a associação explica que, com a proposta da Comissão de desligamento dos apoios, os produtores de tomate passam a receber ajudas calculadas com base num histórico de produção, a definir por cada Estado entre 2001 e 2007 e deixam de estar obrigados a produzir aquele legume.

Os produtores só têm de manter os campos em boas condições agrícolas, podendo ainda optar por outra cultura que considerem mais rentável ou, simplesmente, vender os direitos de produção a outro agricultor, explica a AIT.

Os agricultores continuam a receber ajudas, quer produzam ou não, tomate, mas “a indústria sofrerá inevitavelmente quebras no fornecimento de matéria-prima para a transformação”, salienta.

Por isso, para os industriais do sector, “ao pretender o desligamento total dos apoios à produção de tomate, a Comissão Europeia pode estar a propor, na realidade, um regime de apoio à não produção”.

Para justificar a sua posição, a AIT acrescenta ainda que, em outros sectores onde o desligamento já foi introduzido registaram-se quebras na produção, como no trigo duro, com menos 99 por cento, quando a Comissão previa somente uma descida de 10,4 por cento, e no milho menos 26 por cento, quando o previsto era 1,9 por cento.

A indústria de transformação de tomate factura cerca de 140 milhões de euros por ano, exportando 93 por cento da sua produção, e é responsável por 4.500 postos de trabalho, a que se acrescentam mil indirectos.

Fonte: Agroportal

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