Unileite e Bel avançaram com o aumento do preço base, que se traduz em mais meio cêntimo por litro de leite pago à produção. Novos preços têm efeitos retroactivos desde 1 de Julho. A Insulac adianta que não se desviará da concorrência, mas os seus acréscimos não conhecerão retroactividade. As três indústrias de lacticínios que laboram na ilha de São Miguel avançaram no mesmo dia, uma atrás da outra, com o aumento do preço do leite à produção.
A União das Cooperativas Agrícolas de Lacticínios e de Produtores de Leite da Ilha de São Miguel (Unileite) foi a primeira a dar o passo, declarando o acréscimo de meio cêntimo por cada litro pago aos fornecedores com efeitos retroactivos desde 1 de Julho, de acordo com o comunicado assinado pelo presidente da direcção. Gil Jorge anunciou a fixação de um novo preço base do litro de leite: “(na moeda antiga) 46$75/litro no período de Verão e 51$75 no Inverno”. E revelou que, com a fixação do novo valor, supera-se “o antigo máximo histórico de 46$10 no período de Verão e 51$10 no Inverno pago no preço base do leite em São Miguel”.
Mas a Bel Fromageries não se atrasou na resposta à União das Cooperativas. A fábrica da multinacional francesa quis acompanhar o aumento da Unileite e anunciou igualmente um acréscimo de 50 cêntimos por cada 100 litros de leite pagos à produção. A Bel, que é a maior fábrica de lacticínios dos Açores, procede assim, em 2007, à terceira actualização de preços da matéria-prima. Pelo meio, o responsável em São Miguel, Orlando Brandão, garante que a multinacional francesa acrescentará mais-valia financeira aos produtores, sobretudo aos que ultrapassam os 100 mil litros de leite e atingem escalões de quantidade que permitem majorar o seu rendimento global em mais 80 centavos por litro. Tal como a Unileite, a Bel fará com que os novos preços tenham efeitos retroactivos.
Só a Insulac não envereda por esse caminho: deverá aumentar nos mesmos valores que a concorrência, mas, segundo o seu responsável, Jorge Costa Leite, com efeitos apenas a partir de 1 de Agosto. O empresário sublinha que serão adoptadas medidas no que se refere aos preços a pagar à produção, com o objectivo de “igualar ou ficar muito próximo” da política das outras fábricas. “As empresas não querem perder competitividade relativamente aos seus fornecedores, razão pela qual ninguém pode ficar em desvantagem e deverão ser tomadas medidas de modo a tornar a situação equilibrada”, salientou Costa Leite, para quem, apesar das mexidas no sector, a Insulac pretende estar à frente nos pagamentos que efectua à lavoura, por via do seu sistema de “bónus”.
O empresário admite que os aumentos de preço agora implementados são um “começo” e serão tão mais importantes para a indústria, se se traduzirem “em aumentos do preço da manteiga e queijo nos supermercados”. Porque as condições de mercado o permitiram, a indústria de lacticínios acompanhou nos Açores os aumentos verificados no Continente e a nível internacional. Sobretudo deu um sinal de que alguma coisa teria que ser feita para minimizar as dificuldades dos lavradores face aos aumentos dos custos de produção como as rações e combustíveis.
Contudo, o que foi feito continua a ser pouco para a lavoura. O presidente da Associação Agrícola de São Miguel está convicto que existe ainda margem para uma subida do preço base do litro de leite em 5 cêntimos. Uma meta que, assinala Jorge Rita, é ambiciosa, “mas não utópica”. Afinal, não se trata de nenhum “favor da indústria, mas sim o repor da verdade e justiça” – como, de resto, acredita já ter acontecido no Continente e estrangeiro. Por seu turno, o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Vergílio Oliveira, acusa a indústria de, ao mexer nos preços, tentar subir o preço “o menos possível”. Na verdade, “quanto menos aumentar o preço, mais a indústria capitaliza…”
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal