Os hábitos alimentares estão a mudar. Apesar da conjuntura económica desfavorável, com decréscimos acentuados no consumo de produtos de maior valor acrescentado e do incremento da opção pelas marcas brancas, os produtos lácteos com propriedades especiais ligadas à promoção da saúde merecem a crescente preferência dos consumidores.
Em declarações à margem de um seminário na Agrotec, na FIL, João Sousa, responsável pela recolha de leite da Danone, não hesita: «O iogurte é básico. Os probióticos é que vão fazer a diferença. E nós queremos produzir produtos saudáveis, que tragam maior benefício ao consumidor». Essa «diferenciação é a nossa base de negócio».
«Temos consumidores que ligam cada vez mais a alimentação ao bem-estar e à saúde» e a indústria de lacticínios nacional «não pode andar distraída», tem de ter essa «orientação», «não pode estar à espera do que vem dos outros países» para responder às necessidades dos consumidores». Porque «se nós não tivermos cá esses produtos, a distribuição fá-los-á chegar ao mercado». A afirmação é de Cândida Marramaque, técnica da ANIL, em declarações à margem do seminário sobre os «Desafios da Competitividade na Fileira do Leite».
Ciente de que as empresas do sector lácteo têm de estar «atentas a todo o tipo de consumidores», mas também à «linguagem» inserida nas embalagens e às «exigências das organizações de saúde e da própria Comunidade Europeia», Cândida Marramaque lança o desafio: «Temos de ser pró-activos e oferecer novos produtos para nos mantermos activos no mercado».
Dados tornados públicos esta semana pela Marktest referem que os leites enriquecidos estão a ganhar terreno no mercado nacional e que os leites vitaminados já são consumidos por cerca de um milhão de portugueses, sendo que o segmento do leite com cálcio valerá já cerca de 38 milhões de litros.
Mas não só de leites especiais se fala quando se fala de produtos saudáveis. Falamos de outros produtos lácteos, onde se incluem os queijos, nomeadamente os da gama gourmet.
«O subsector dos queijos tem-se desenvolvido imenso, nomeadamente na linha gourmet», referiu Cândida Marramaque. E, aqui, «não temos de ter só em conta os aspectos ligados à saúde das pessoas, porque o gourmet é, hoje em dia, uma das escapatórias [para a indústria] e é, até, uma oportunidade para as queijarias tradicionais».
Por seu lado, o segmento dos iogurtes também tem somado apreciáveis desenvolvimentos, sendo, na opinião de Cândida Mamarraque, «um produto extremamente fácil de trabalhar, porque podemos adicionar-lhe imensos elementos, como frutas, cereais, fibras», entre outros. É um produto «muito mais fácil de trabalhar que o leite líquido, por exemplo, que tem muitas inibições», diz a técnica da ANIL.
Concordando que a indústria «deve estar preparada para responder aos novos desafios», a Danone diz estar precisamente a travá-lo, apesar do decréscimo nas vendas, especialmente «ao nível dos iogurtes». A empresa de Castelo Branco quer, contudo, «diferenciar pela saúde», frisando que «o iogurte é básico» e que «os probióticos é que vão fazer a diferença» no futuro.
Questionado sobre a crescente opção pelas marcas brancas e sobre como é que lidam com esse segmento, João Sousa não hesitou: «Lidamos mal, as marcas brancas são muito brancas», disse em tom irónico o responsável da Danone. Elas são, aliás, hoje em dia, para a Danone, «o concorrente número um».
Compatibilizar a criação de novos produtos com o decréscimo das vendas dos produtos de maior valor acrescentado é, pois, para João Sousa, «a parte mais difícil» do negócio. Mas a receita, essa, não pode passar ao lado da inovação, passado também pela «informação do consumidor» sobre os novos produtos, mostrando-lhe o benefício do seu consumo.
Fonte: Anil
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