O primeiro semestre de 2006 fica marcado por níveis de produção de alimentos compostos historicamente muito baixos e bastante inferiores aos registados durante os primeiros seis meses de 2005.
Segundo os dados da IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – resultantes da análise de uma amostra representativa do sector, a produção acumulada do primeiro semestre de 2006 sofreu uma quebra na ordem dos 10% face ao mesmo período do ano anterior, com decréscimos em todos os segmentos do sector.
Seguindo a tendência dos primeiros meses do ano, o mês de Junho registou um decréscimo na produção de cerca de 12%, em comparação com Junho de 2005, o que se reflecte numa diminuição de cerca de 27 mil toneladas.
Estes resultados negativos da indústria de alimentos para animais – que começaram a desenhar-se no final de 2005 e se mantiveram durante todo o primeiro semestre de 2006 – ficam a dever-se à conjugação de dois factores principais: a descapitalização da pecuária e a conjuntura económico-financeira negativa que o país enfrenta actualmente.
A pecuária nacional atravessa momentos difíceis, devido à forte concorrência das importações de carne oriundas de alguns países (comunitários e não só). Este cenário obrigou a uma redução da produção de animais, o que se reflectiu também numa menor produção de alimentos compostos. Outros factores surgem associados ao decréscimo da produção pecuária, nomeadamente os elevados investimentos suportados pelas explorações ao nível da segurança alimentar e ao nível ambiental e de bem-estar dos animais. Simultaneamente, problemas como o da gripe das aves obrigaram as explorações a reduzir a produção nesta área por causa da quebra na procura que se fez sentir nos primeiros meses do ano, o que também contribuiu para a redução da produção de alimentos compostos.
Por outro lado, a situação económico-financeira complicada que o país enfrentou no primeiro semestre deste ano, também afectou o sector pecuário e, consequentemente, a indústria de alimentos compostos para animais. Com os atrasos que se têm verificado nos recebimentos, muitos produtores viram-se na necessidade de vender somente a clientes que forneçam garantias de pagamento, o que naturalmente originou quebras na produção.
Face a este cenário negativo que já se prolonga desde o final de 2005, a evolução da indústria nacional de alimentos compostos para animais começa a ficar comprometida, o que também se poderá revelar prejudicial para a posição do sector português do panorama comunitário.
Fonte: Agroportal
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