A distribuição fica com grande parte do valor pago pelos consumidores pelos produtos hortícolas, chegando a atingir 70 por cento do total, disse hoje uma responsável do sector.
A presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares, Maria Antónia Figueiredo, afirmou à agência Lusa que a divisão do rendimento da comercialização dos produtos hortofrutícolas é desequilibrada e pode pôr em causa a competitividade desta área agrícola.
“A apropriação excessiva de um elo da cadeia” é uma situação que pode pôr em causa a competitividade do sector hortofrutícola, alertou a responsável.
A área hortofrutícola, como o vinho ou o azeite, é um dos sectores da agricultura portuguesa apontado como podendo ser competitivo.
O Observatório realizou um estudo a quatro produtos, dois legumes (cenoura e couve-flor) e dois frutos (pêra rocha e maçã golden delicious), abrangendo cinco anos, de 2000 a 2004.
Ao longo deste período, em que foi seguido o percurso dos produtos desde a produção ao estabelecimento comercial, “podemos concluir que o desequilíbrio não só se manteve como se acentuou”, salienta Maria Antónia Figueiredo.
Em 2004, os dados recolhidos concluem que na maçã, 71 por cento do valor pago pelo consumidor ficou na distribuição, tendo os produtores recebido somente 29 por cento, enquanto na pêra rocha a proporção é de 63 por cento e 37 por cento, respectivamente.
No mesmo ano, 65 por cento do preço final da cenoura era para a distribuição e na couve-flor a percentagem era de 64 por cento.
“O desequilíbrio da distribuição de rendimento registado nestes produtos pode abranger outras fileiras e mesmo a totalidade dos hortofrutícolas” não transformados, ou seja de consumo directo, como a fruta e a hortaliça, defendeu a responsável.
Para produtos transformados, como o vinho, há que ter em conta componentes diferentes que implicam um determinado custo.
A presidente do Observatório alertou para a necessidade de a Autoridade da Concorrência verificar esta situação, apontando mesmo a possibilidade de “as grandes superfícies terem um monopólio e formarem preços” devido às grandes quantidades que adquirem.
Maria Antónia Figueiredo referiu ainda que a informação sobre preços, uniformizada e assente em critérios semelhantes, “é absolutamente necessária, pois sem informação e transparência há dificuldade de intervenção nos mercados”.
Fonte: Agroportal
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