Horror no início da BSE

Restos humanos transformados em rações para bovinos podem estar na origem da doença das ‘vacas loucas’. A tese é avançada por uma equipa de cientistas britânicos – publicada na última edição da revista ‘Lancet’ – que não tem dúvidas: animais criados no Reino Unido ingeriram farinhas contaminadas com restos humanos, que estavam, por sua vez, infectados com a variante da doença, responsável pela infecção de milhares de animais e a morte, apenas no Reino Unido, de mais de 150 pessoas.

É assustador que elementos humanos possam ter sido incorporados em alimentos dados a animais”, refere ao CM Maria dos Anjos Pires, professora no Centro de Ciência Animal e Veterinária da Universidade de Trás-os-Montes. “É um descuido inadmissível, uma falta de responsabilidade enorme”, acrescenta.

Apesar do horror que a informação acarreta, para esta especialista – envolvida na investigação da encefalopatia espongiforme bovina (BSE) –, a teoria pode não estar longe da realidade. “Está provado que há uma relação entre alimento e doença. E se os restos humanos incorporados nas rações estivessem contaminados, a doença pode ter sido transmitida do homem para o animal.”

Segundo Alan e Nancy Colchester, durante os anos 60 e 70, a Grã-Bretanha importou centenas de milhares de toneladas de carcaças de animais, usadas como fertilizantes e alimento para bovinos. Cerca de 50 por cento eram originários do Sul da Ásia, zonas onde a apanha de ossos no campo e rios e a sua posterior venda é uma prática comercial corrente. A isto junta-se os hábitos funerários hindus, que requerem que os restos humanos sejam cremados e lançados ao rio. No entanto, a falta de dinheiro leva a que muitos cadáveres sejam deitados intactos, por exemplo, ao Ganges, na Índia.

Os especialistas concordam que são necessários mais dados, mas esta pode ser a resposta há muito procurada para a origem da BSE.

Fonte: Correio da Manhã

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