Hormona das vacas reduz emissões de gases de estufa

Cientistas norte-americanos apresentaram um estudo que pretende demonstrar que a aplicação de um suplemento de hormona de crescimento no gado bovino permite reduzir drasticamente o número de vacas necessárias para produzir a mesma quantidade de leite.

A aplicação nas vacas de uma hormona de crescimento reconstituída artificialmente, mas existente na pituitária destes animais, pode aumentar a produção de leite em cerca de 84 por cento. Segundo um estudo da Universidade de Cornell (Nova Iorque), publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a nova tecnologia permitirá ainda reduzir os gases com efeito de estufa, só nos Estados Unidos, equivalentes a 400 mil veículos motorizados em andamento.

Os autores do estudo começam por frisar que a produção de leite em grande escala requer vastas superfícies de pasto e uma aplicação intensiva de energia, necessária na produção da alimentação do gado bovino. Mas o recurso a injecções da hormona bovina somatotropina reconstituída (STH) permite reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano, já que reduz a necessidade de adubos e fertilizantes aplicados às pastagens.

Ao mesmo tempo, assegura as necessidades estimadas futuras de abastecimento de leite. Os autores do estudo estimam que na primeira metade do século XXI a Humanidade terá de conseguir alimentos em quantidade idêntica a todos os que até final do século passado foram produzidos em toda a História.

A investigação demonstra igualmente que a introdução no sistema sanguíneo das vacas de uma dose diária de STH faz com que 157 mil animais produzam o mesmo leite que um milhão sem a mesma hormona. Esta diferença permitiria economizar 491 mil toneladas de milho e 158 mil de soja, num total de 2,3 milhões de toneladas de alimento global. Também foi testado o efeito nos terrenos cultivados, que diminuiriam 219 mil hectares.

Os Estados Unidos tinham, no final do ano passado, 9,2 milhões de vacas. Cada milhão injectado com a STH (que é uma hormona de crescimento) poderia impedir a emissão de 824 mil toneladas de CO2 e 41 mil de metano, para além de 96 toneladas de monóxido de azoto. Trata-se dos principais gases que contribuem para o efeito de estufa, determinante para o aquecimento global. Também a acidificação da água seria minorada com a aplicação generalizada desta nova tecnologia.

A nível mundial, o gado bovino produz mais gases com efeito de estufa do que a circulação automóvel, segundo dados de 2006 da FAO. Embora só seja responsável pela emissão de nove por cento do CO2, outros gases bem mais nocivos concentram-se na produção de gado. Assim, esta é responsável por 65 por cento de hemióxido de azoto – imputável essencialmente ao estrume -, que é um gás 296 vezes mais nocivo para o aquecimento global que o CO2.

O gado é igualmente produtor de 37 por cento do metano, que incide nas alterações climáticas 23 vezes mais que o CO2. O metano advém da actividade digestiva dos ruminantes. Finalmente, 64 por cento do amoníaco lançado na atmosfera é também da responsabilidade da criação de gado, contribuindo para o fenómeno das chuvas ácidas.

Fonte: Anil

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …